Cibercafé do Japão oferece endereço a moradores de rua

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 10:24 BRST
 

Por Chika Osaka

TÓQUIO (Reuters) - Em um país onde ter um endereço fixo é essencial para se conseguir um emprego, um cibercafé de uma cidade perto de Tóquio está oferecendo aos desempregados e moradores de rua mais que um endereço de email.

Além dos serviços usuais de Internet, quadrinhos e bebidas com reabastecimento ilimitado oferecido pela maioria dos cibercafés japoneses, o Cyber @ Cafe oferece aos seus clientes acomodação de longo prazo e um endereço oficial registrado.

Esse serviço simples é vital para os 50 moradores semipermanentes do café, muitos dos quais se refugiaram lá depois de serem abruptamente demitidos durante a atual recessão.

Takemitsu Karitachi, um trabalhador temporário em uma fábrica local, é uma das muitas pessoas que vêm dormindo no café todas as noites, há dois meses, desde que perdeu o emprego em um escritório e seu apartamento.

Karitachi, que costumava vaguear pelas ruas e se revezava entre diversos cibercafés por alguns meses, agora diz que está aliviado por ter encontrado lar mais permanente -- mesmo que se trate de um cubículo pouco maior que o assento traseiro de um carro.

"Antes de eu chegar aqui, costumava ficar sentado em bancos diante de lugares como supermercados e comia bolos de arroz o dia inteiro. Mas quando não tinha trabalho ou dinheiro, passava as noites nos bancos dos parques", disse Karitachi à Reuters.

Como ele, muitas das pessoas que freqüentam cibercafés estão desempregadas, perderam suas casas e estão à procura de abrigo, mas ao contrário dos fregueses do Cyber @ Cafe não podem usar esses estabelecimentos como casa.

"As agências de recursos humanos costumavam contratar trabalhadores como eu, que não têm endereço oficial, mas isso mudou", disse Karitachi. "Agora é preciso endereço oficial e fiador."

O Cyber @ Cafe dispõe de um microondas e um chuveiro e os hóspedes pagam cerca de 20 dólares ao dia, bem menos que em um hotel econômico.

O índice de desemprego japonês continua a ser de invejáveis 3,7 por cento, mas o governo estima que 30 mil trabalhadores temporários devem ser dispensados no país de outubro deste ano a março de 2009.