China está à beira do 3G e de bilhões em investimento em telecom

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 11:15 BRST
 

Por Kirby Chien

PEQUIM (Reuters) - A China na semana passada aprovou as muito aguardadas licenças de operação de redes celulares de terceira geração (3G), o que despertou o interesse de investidores por conta da perspectiva de grandes encomendas aos fabricantes de equipamentos e receita elevada para as operadoras.

As novas licenças obrigarão a operadora dominante, a China Mobile, a construir e operar uma rede 3G baseada em uma tecnologia experimental desenvolvida na China, conhecida como TD-SCDMA.

Enquanto isso, duas operadoras menores de telefonia móvel, China Unicom e China Telecom, construirão redes baseadas nas duas mais aceitas tecnologias mundiais, WCDMA e CDMA 2000.

O Ministério da Indústria e da Tecnologia da Informação da China espera que o investimento em redes 3G chegue a 41 bilhões de dólares nos próximos dois anos. Essas redes já se tornaram comuns em todo o mundo e permitem serviços complexos como transmissões de vídeo e videoconferências.

A China ficou para trás do resto do planeta na criação dessas redes, enquanto tentava racionalizar seu setor de telecomunicações e alimentar as fabricantes nacionais de equipamentos, muitas vezes à custa de gigantes estrangeiras como Ericsson e Alcatel Lucent.

Embora as empresas estrangeiras devam perder uma parte dos pedidos nos novos contratos, talvez os mais prejudicados sejam os consumidores chineses, que agora precisam enfrentar uma escolha nada apetitosa entre diferentes serviços 3G.

A aprovação da licença elevou as ações das três operadoras chinesas de telefonia móvel na semana passada devido à reação positiva dos investidores. Enquanto isso, a notícia ajudou a animar as ações de fabricantes mundiais de equipamentos de telecomunicações como Ericsson, Alcatel-Lucent, Nokia e Motorola.

Mas um dos maiores prejudicados é o consumidor chinês, que subitamente terá de escolher entre tecnologia comprovada operada por empresas com históricos desconhecidos e um padrão não comprovado oferecido por um gigante do setor.

A China é o maior mercado celular do mundo, com mais de 600 milhões de assinantes, segundo as últimas estatísticas do governo. Entre eles, quase três quartos são clientes da China Mobile e o restante divide-se entre a Unicom e a China Telecom.