5 de Janeiro de 2009 / às 16:15 / 9 anos atrás

Abinee teme atraso em investimentos das teles no 1o trimestre

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar das declarações das operadoras de telefonia de que o volume de investimentos não deverá ser menor que o de 2008, próximo dos 20 bilhões de reais, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) teme postergação de projetos.

O diretor da área de Telecomunicações da Abinee, Paulo Castelo Branco, acredita que pode haver adiamento de projetos a partir deste primeiro trimestre, especialmente daqueles não vinculados às obrigações dos compromissos assumidos pelas empresas que compraram licenças de terceira geração e da portabilidade numérica.

As operadoras de celular se comprometeram a levar redes móveis a quase 2 mil cidades onde ainda não existia serviço de telefonia celular, todas de pequeno porte, e parte delas deve ser atendida neste ano.

Já o processo de portabilidade numérica, iniciado no ano passado, deverá estar concluído em todo o Brasil até 2 de março deste ano, pelo cronograma acertado entre operadoras e Anatel.

Dados levantados pela Abinee indicam que, em 2008, a área apresentou crescimento de 21 por cento sobre 2007, gerando faturamento de 21,1 bilhões de reais.

Segundo Castelo Branco, em comunicado à imprensa, a área vinha com um bom desempenho, mas a desvalorização brusca do real "causou descompasso nos contratos, já que nem as operadoras nem seus fornecedores de equipamentos previam uma variação de tal monta em prazo tão curto", diz o comunicado.

O executivo, entretanto, não reduziu sua expectativa para 2009 e acredita que as taxas de crescimento do setor devem ficar similares às de 2008.

INFORMÁTICA CRESCERÁ MENOS

Já para o diretor da área de informática da Abinee, Antonio Hugo Valério Jr., o segmento vinha apresentando bom desempenho até setembro do ano passado, em razão das medidas de desoneração, do real valorizado contra o dólar, que reduz custos de produção, e do uso de ferramentas de eficiência.

O faturamento do setor cresceu 11 por cento, para 34,9 bilhões de reais --a maior fatia entre os setores englobados pela associação.

Mas, diante da valorização brusca do dólar contra o real a partir de outubro, Hugo Valério acredita que o crescimento da área ficará "um pouco abaixo das expectativas" em 2009. Ele preferiu não apontar uma percentagem.

"Considerando que o foco da área é o mercado interno e que este deve ser pouco impactado pela crise internacional, as expectativas continuam otimistas, embora a redução de crédito e o aumento de preço advindo do câmbio possam não contribuir positivamente ao crescimento do mercado", diz ele, no comunicado.

A indústria representada pela Abinee faturou 123,71 bilhões de reais em 2008, cifra 11 por cento maior que a de 2007. Para este ano, a expectativa da entidade é elevar a receita em 7 por cento sobre o ano anterior, com base na manutenção da demanda interna e nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento

(PAC).

Por Taís Fuoco, Edição de Alberto Alerigi Jr.

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