Aparelhos touchscreen se esquecem dos deficientes visuais

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 09:48 BRST
 

NOVA YORK (Reuters) - A mania dos aparelhos com telas sensíveis a toques lançada pelo popular iPhone, da Apple, está causando preocupação quanto à possibilidade de que toda uma geração de bens eletrônicos de consumo fique fora do alcance dos cegos.

Stevie Wonder, lenda da Motown, e outros defensores da causa dos deficientes visuais foram à Consumer Electronics Show, em Las Vegas, esta semana, para convencer os fabricantes de aparelhos a levar em conta as necessidades dos cegos.

Wonder disse na CES que sua lista de desejos incluía um carro que ele pudesse dirigir, algo que ele reconheceu que provavelmente "demoraria bastante", e um rádio via satélite Sirius XM que ele pudesse operar.

"Se vocês puderem avançar pelo menos alguns passos, nos propiciarão o entusiasmo, o prazer e a liberdade de ser parte disso", declarou o músico.

Wonder disse que algumas empresas conseguiam fazer produtos mais acessíveis para os cegos, ocasionalmente até sem intenção. Ele mencionou um player de música iPod e o BlackBerry, da Research in Motion, como aparelhos que gosta de usar.

Os defensores dos deficientes visuais dizem que se os fabricantes produzirem aparelhos que levam em conta as necessidades dos cegos, também estariam fazendo eletrônicos mais fáceis de usar para as pessoas que enxergam.

A boa notícia é que os fabricantes não precisam investir grandes quantias na produção de equipamentos acessíveis, e tampouco teriam de deixar de lado a inovação, disse Chris Danielsen, porta-voz da Federação Nacional dos Cegos dos Estados Unidos.

"Não queremos segurar o progresso tecnológico", disse ele. "O que estamos dizendo é que eles deveriam pensar na interface e criá-la de forma a que seu uso seja simples... Quanto mais simples a interface de um produto for, mais pessoas ele atingirá, cegas ou não."

Com a popularidade das telas sensíveis a toques, produtos que costumavam ser simples de serem manipulados pelos deficientes visuais, como televisores e aparelhos de som, se tornaram difíceis, porque muitas vezes requerem navegação por múltiplos menus que precisam ser vistos para que se possa usá-los de maneira efetiva.

O presidente do Sendero Group, Mike May, ele próprio deficiente visual, brincou: "Eu posso esquiar a 100 quilômetros por hora numa descida? Sim. Mas posso usar um microondas com tela sensível? Não." A Sendero produz aparelhos de navegação por satélite que têm saída de som para usuários cegos.

E Anne Taylor, diretora de tecnologias de acesso na Federação Nacional para Cegos, afirma que a capacidade de usar um aparelho sem precisar olhar para ele pode ajudar pessoas com visão saudável ou que começa a se deteriorar a dirigir.