Antes poderosas, fabricantes de computadores sucumbem à crise

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 11:24 BRST
 

Por Kelvin Soh

TAIPEI (Reuters) - O setor mundial de computadores pessoais se manteve bem pela maior parte do ano passado enquanto a maioria dos demais setores tropeçava, mas agora ele também foi contaminado pela crise econômica cada vez mais profunda que prejudicou a demanda dos consumidores e das empresas.

Ainda em novembro, J. T. Wang, presidente do conselho da Acer, terceira maior fabricante mundial de computadores, estava confiante em que os computadores pessoais estariam imunes às desacelerações mundiais devido à crescente importância dos computadores na vida diária.

"As crianças continuarão precisando ir à escola. Elas necessitarão de computadores. As empresas continuarão trabalhando. Elas também necessitarão de computadores," disse Wang.

Mas passados apenas dois meses, uma série de alertas recentes de problemas de vendas e de cortes nas projeções de negócios sinaliza uma desaceleração súbita que durará pela maior parte de 2009, se não por mais tempo.

"A demanda está fraca e não creio que sejamos os únicos a prever crescimento negativo em 2009", disse Pranab Sarmah, analista de tecnologia da informação no Daiwa Institute of Research.

"Podemos ver alguma recuperação da demanda no segundo semestre de 2009, quando a temporada de volta às aulas chegar e os consumidores recomeçarem a gastar", afirmou.

As projeções dos analistas quanto aos embarques de computadores pessoais em 2009 variam, mas muitos deles antecipam quedas. O grupo de pesquisa IDC calcula que os gastos com computadores pessoais possam cair em 5,3 por cento este ano, para cerca de 267 bilhões de dólares, ante sua projeção anterior de alta de 4,5 por cento.

Marcas como Dell e Lenovo, segunda e quarta maiores fabricantes mundiais de computadores, podem enfrentar mais dificuldades devido à sua dependência de vendas para empresas, em função dos cortes de custos mais acentuados no setor empresarial do que entre os consumidores, diz Lillian Tay, analista do Gartner.

"Elas já mudaram o foco para o setor de consumidores, mas conseguirão se reformar em tempo? Além disso, os gastos dos consumidores são sazonais e só sobem nas temporadas de festas e de volta às aulas, ou seja, não agora", ela afirmou.