16 de Janeiro de 2009 / às 12:45 / em 9 anos

Novo material pode tornar objetos "invisíveis"

Por Julie Steenhuysen

CHICAGO (Reuters) - Um novo material que manipula a curvatura da luz levou os cientistas a se aproximarem de um dispositivo que pode tornar objetos invisíveis. Além das possíveis aplicações militares, o método também poderia ter um uso bastante prático ao tornar mais claras as comunicações por telefonia celular, disseram eles.

“A tecnologia de camuflagem poderia ser usada para fazer ‘desaparecer’ obstáculos que bloqueiam a comunicação”, disse David Smith, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, que trabalhou no estudo, publicado pela revista Science.

Smith faz parte da mesma equipe de pesquisa que, em 2006, provou que um aparelho como esse era possível.

Ele afirmou que o novo material é mais fácil de produzir e funciona em uma banda muito mais larga. É feito a partir de um metamaterial, uma substância exótica produzida artificialmente e dotada de propriedades que não existem na natureza.

Os metamateriais podem ser usados para formar diversas estruturas de “camuflagem”, que conseguem “dobrar” as ondas eletromagnéticas, como as da luz, fazendo com que contornem um objeto. Esse efeito torna objetos invisíveis.

Nesse caso, o material é produzido a partir de mais de 10 mil pedaços individuais de um produto parecido com fibra de vidro. As partes são dispostas em fileiras paralelas sobre uma placa de circuito.

A equipe, que inclui Ruopeng Liu, também da Universidade Duke, e T. J. Cui, da Universidade Southeast, em Nanjing, China, realizou experiências de laboratório nas quais direcionou micro-ondas através do novo material de camuflagem para um obstáculo colocado em uma superfície espelhada lisa. O processo impediu que os feixes de micro-ondas se dispersassem e fez com que a superfície parecesse lisa.

Smith disse que o objetivo não é fazer com que algo visível desapareça. A camuflagem, disse ele, pode funcionar em qualquer porção do espectro eletromagnético.

Os seres humanos “veem” usando a luz visível, cujos comprimentos de onda são inferiores a um mícron (um milionésimo de metro). Mas celulares e outros aparelhos “veem” usando luz com comprimento de onda de alguns centímetros, explicou Smith em um email.

Ele afirmou que objetos podem bloquear a “visão” dos celulares, dificultando a comunicação.

“Poderia haver duas antenas tentando ‘ver’, ou receber sinais, mas uma sendo bloqueada pela outra”, disse ele. “Seria possível imaginar o uso do dispositivo de camuflagem para tornar as antenas invisíveis uma em relação à outra, para eliminar a interferência na comunicação.”

Smith disse que a noção de um aparelho que torna objetos invisíveis aos seres humanos é ainda um conceito distante, mas não impossível de ser alcançado.

“Esta última estrutura que desenvolvemos mostra claramente que há potencial para camuflagem se tornar fato científico em algum ponto”, afirmou o pesquisador.

Apesar da pesquisa da equipe contar com patrocinadores que incluem a empresa de produtos militares Raytheon Missile Systems e o Departamento de Pesquisa Científica da Força Aérea dos Estados Unidos, Smith disse que a tecnologia não foi criada para substituir a tecnologia “stealth”.

“Se isso tiver um impacto em aplicações de comunicação, mesmo comerciais, essas mesmas aplicações podem existir presumivelmente em contextos de defesa.”

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