Mais adolescentes chineses começam a se perder no ciberespaço

terça-feira, 20 de janeiro de 2009 16:26 BRST
 

Por Kitty Bu

PEQUIM (Reuters) - Eles não conseguem dormir, não conseguem se concentrar e sofrem surtos de ansiedade ou depressão -e como qualquer pessoa que padeça de um hábito destrutivo, os viciados em Internet da China precisam de ajuda, e rápido.

O país mais populoso do mundo também abriga o maior número de usuários de Internet, com 298 milhões de usuários pelo final de 2008 -elevação de quase 42 por cento ante o total do ano anterior, de acordo com o China Internet Network Information Centre.

Os problemas causados pelo uso exagerado de Internet também estão em alta, especialmente entre os jovens, que formam a maior parte dos internautas chineses.

A cerca de uma hora de carro de Pequim fica o maior dos centros chineses para o tratamento dos viciados em Internet, o Beijing Taoran Internet Addiction Treatment Centre, que recentemente teve de transferir 60 pacientes a uma nova unidade porque seus velhos edifícios já não comportam o grande número de novos viciados vindos de todo o país.

O tratamento consiste de terapia médica e psicológica, e não é barato: os pacientes pagam cerca de 1,5 mil dólares por mês e, se os resultados não forem satisfatórios, podem ter de ficar internados por dois ou até três meses.

Um grande número de viciados em Internet também termina encaminhado a hospitais psiquiátricos, nos quais são tratados por diversos problemas, entre os quais o distúrbio obsessivo-compulsivo.

Chen Kehan, uma dos médicas do centro, disse que os novos pacientes estão se tornando menos e menos sociáveis -e portanto mais difíceis de atender. Alguns parecem ter perdido muitas das competências sociais necessárias a funcionar fora do mundo virtual.

"Nos últimos 12 meses, muito mais pessoas começaram a procurar informações sobre o nosso centro. A condição dos pacientes que recebemos também se tornou mais séria do que em anos anteriores," ela disse.

O centro foi criado por Tao Ran, antigo médico do Hospital Militar de Pequim, que passou muitos anos no Canadá estudando o combate a vícios. Ele retornou a Pequim com a esperança de mudar as atitudes da China, que não via o vício em Internet como problema de saúde mental.