ANÁLISE-Decisão da CVM traz novas incertezas à TIM Brasil

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 18:47 BRST
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de obrigar uma oferta pública pelas ações ordinárias da TIM joga dúvidas sobre o futuro da companhia e envolve todo o setor de telefonia celular brasileiro, já que pode afetar, indiretamente, a Vivo, maior operadora do país.

A TIM já enfrentou dificuldades nos primeiros trimestres de 2008 e acabou por perder o posto de segunda colocada no mercado em setembro, diante da agressividade da Claro. A companhia italiana promoveu mudanças em sua diretoria e começou 2009 com um novo presidente, o italiano Luca Luciani, que substitui o brasileiro Mario Cesar Pereira de Araujo.

A avaliação da CVM, divulgada nesta sexta-feira, leva em conta o fato de que o consórcio Telco, que assumiu a holding Olimpia em abril de 2007, passou a deter 24,5 por cento da Telecom Italia. A autarquia avaliou que a transação caracteriza controle indireto da Telco na TIM e, por isso, determinou uma oferta pública pelos papéis com direito a voto em circulação.

A Telco tem 10 dias úteis para recorrer ao colegiado da CVM. Analistas acreditam que o consórcio entrará com o recurso e que uma possível oferta pública possa levar até anos para acontecer.

A demora da CVM traz alguns questionamentos à decisão.

"Qual o preço justo para as ações da TIM, quase dois anos depois? E quem são os minoritários elegíveis para essa oferta?", pergunta a analista Jacqueline Lison, do Banco Fator.

As questões, na sua avaliação, podem causar "alguma controvérsia", já que os minoritários de dois anos atrás talvez não tenham mais os papéis hoje. Os acionistas atuais, por sua vez, já devem ter adquirido o papel após o consórcio Telco entrar no controle. "O mercado também mudou", pondera.

As dúvidas são compartilhadas pela analista Vera Rossi, do Morgan Stanley. "Se a oferta pública acontecer, qual deve ser o preço?", questiona em um relatório.   Continuação...