Recessão atinge o Vale do Silício e demissões se acumulam

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 11:36 BRST
 

Por Anupreeta Das

NOVA YORK (Reuters) - A recessão chegou tarde ao Vale do Silício, mas a estadia deve ser prolongada, enquanto as empresas de tecnologia cortam milhares de empregos a fim de cortar custos e compensar a queda na receita e a contenção das despesas pelos consumidores.

Os cortes de empregos no setor de tecnologia vinham sendo inferiores aos de outros setores até as últimas semanas. Agora, eles estão surgindo com muita intensidade, à medida que a desaceleração econômica toma conta do Vale do Silício, a região do norte da Califórnia que abriga empresas conhecidas dessa área como Google e Amazon.com.

Gigantes da tecnologia como Intel e Microsoft estão demitindo milhares de funcionários, e as empresas iniciantes também recorrem a demissões, em escala menor, enquanto batalham para sobreviver com menos clientes e menos investimento do setor de capital para empreendimentos.

E isso é apenas o começo, dizem os analistas, cuja expectativa é de que milhares de pessoas percam o emprego este ano, à medida que a recessão força o setor a cortar seus dispêndios de marketing e capital.

"As organizações estão perguntando que cara teria o pior inverno nuclear, e se preparando para ele", disse Adam Charlson, sócio sênior no grupo de recrutamento de executivos Korn/Ferry International, que trabalha em estreito contato com as divisões de recrutamento das principais empresas de tecnologia. "O que estamos vendo agora são empresas que colocaram esses planos em prática".

No ano passado, o Vale do Silício perdeu 11,7 mil postos de trabalho, de acordo com Steve Levy, economista sênior do Center for the Continuing Study of the California Economy (CCSCE). O número é pequeno se comparado aos 200 mil empregos perdidos depois do estouro da bolha da Internet em 2000, mas isso é porque os números de 2008 ainda não refletem o pleno impacto das demissões, ele disse.

"A manchete é que a recessão chegou ao Vale do Silício", disse Levy. Como resultado, ele declarou que estava "revisando para substancialmente menos" suas projeções de emprego para 2009.