ESPECIAL-Na contramão do mercado, sobram vagas no setor de TI

terça-feira, 27 de janeiro de 2009 11:19 BRST
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Maior empresa mundial de serviços de tecnologia, a IBM passou recentemente a dedicar esforços no Brasil para reduzir a lacuna entre o perfil do estudante que sai das universidades e o almejado pelas companhias que têm vagas.

A idéia é tentar minimizar uma peculiaridade dessa indústria. Enquanto boa parte dos setores da economia começa a promover demissões, inclusive, no Vale do Silício , o segmento de prestação de serviços de tecnologia da informação (TI) tem vagas em aberto que não consegue preencher.

A Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) acredita que existem cerca de 30 mil vagas em aberto no segmento de software e serviços, tanto para o mercado interno como para o externo, e não espera encolhimentos, especialmente no que se refere à exportação de serviços, em 2009.

A gigante de informática IBM ainda não tem indicações de como será o seu ritmo de contratações em 2009, já que isso depende dos contratos de exportação que fechar, mas lembra que foram 3 mil admissões em 2007 e as 1,5 mil previstas para 2008 foram alcançadas em agosto daquele ano. Em relação a 2005, o número de empregados da IBM no país já saltou mais de 50 por cento e chegou em 2008 a 15,4 mil pessoas.

"Em meados de dezembro, tínhamos 140 vagas em aberto", cita Edson Luiz Pereira, executivo de parcerias educacionais da IBM Brasil, responsável por costurar os acordos que darão ao profissional graduado o perfil mais adequado às necessidades do mercado.

"A crise pode ser, de repente, uma oportunidade para o Brasil, já que a terceirização é uma forma de reduzir custos", disse também Ruth Harada, diretora de cidadania corporativa da subsidiária da IBM.

O Brasil é considerado um país com bons profissionais, está em um fuso horário relativamente favorável e o custo da mão-de-obra não é dos maiores, apontam os executivos da IBM.

O presidente da Brasscom, Antonio Carlos Gil, também acrescenta que "a curva de crescimento da TI é quase independente da curva da economia". Segundo ele, em tempos de recessão as empresas precisam de TI para controlar gastos e, em época de aceleração, usam a TI para gerenciar o crescimento, afirmou, em entrevista à Reuters.   Continuação...