Fabricantes de chips do Japão buscam fusão para sobreviver

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 11:53 BRST
 

Por Noriyuki Hirata e Sachi Izumi

TÓQUIO (Reuters) - A Toshiba está negociando a fusão de parte de suas operações de chips com a unidade de semicondutores da NEC, informou uma fonte, enquanto a acentuada desaceleração da economia mundial força as fabricantes japonesas de chips a cortar empregos e tentar se unir.

Os fabricantes de chips em todo o mundo estão enfrentando profundos prejuízos que esgotam sua base de caixa e prejudicam sua capacidade de investir em um futuro crescimento, mas analistas e alguns executivos dizem duvidar que uma fusão entre empresas japonesas do setor possa ajudar.

A Toshiba está negociando combinar sua divisão de chips de sistema à NEC Electronics, uma fabricante de semicondutores na qual a NEC detém participação majoritária, de acordo com uma pessoa informada sobre as negociações, que pediu que seu nome não fosse revelado.

"É uma união de derrotados", disse Fumiyuki Nakanishi, gerente da SMBC Friend Securities. "A despeito de algum impacto em termos de corte de custos, é duvidoso que elas possam superar seus rivais internacionais, mesmo unidas. O setor nacional de chips parece à beira da morte".

A NEC planeja realizar 20 mil demissões em todo o grupo --o maior corte já anunciado por uma empresa asiática na atual crise mundial--, enquanto a Toshiba vai reduzir em 3,3 bilhões de dólares suas despesas fixas ao adiar os planos de expansão de sua capacidade de produção de chips de memória flash NAND.

Caso as operações de chips de sistema da Toshiba se combinem à NEC Electronics, a empresa combinada teria receita anual de 1,5 trilhão de ienes (16,7 bilhões de dólares), com base em seu resultado no ano fiscal de 2007/2008.

Isso superaria a divisão de chips da Samsung Electronics, às taxas de câmbio vigentes. Os chips de memória respondem pela maior parte das vendas de semicondutores da Samsung.

As ações da Toshiba caíram em 17 por cento com os rumores sobre a fusão de operações de chips, o anúncio de sua projeção anual de prejuízo na quinta-feira e o rebaixamento de sua classificação pelo Goldman Sachs, que afirmou que a empresa talvez tenha de tentar se recapitalizar por uma emissão de ações.