Lucro da América Móvil deve ser prejudicado por câmbio

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 16:58 BRST
 

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - A América Móvil, maior operadora latino-americana de telefonia celular e dona da brasileira Claro, provavelmente reportará queda de 30 por cento em seu lucro no quarto trimestre, prejudicada pela alta em seus custos depois das quedas cambiais em seus mercados.

A América Móvil, controlada pelo bilionário Carlos Slim, provavelmente lucrou 11,05 bilhões de pesos (800 milhões de dólares) entre outubro e dezembro, de acordo com a estimativa média de sete analistas consultados pela Reuters.

Pressionado pela contração mundial do crédito, o peso mexicano caiu em 21 por cento no quarto trimestre, o que prejudica a América Móvil e outras empresas locais com custos em dólares.

A América Móvil paga por seus celulares em dólares e os revende com prejuízo para encorajar novos clientes a assinar. O câmbio no Brasil e em outros países nos quais a América Móvil opera também sofreu abalo.

"O efeito da depreciação das moedas locais sobre o subsídio aos celulares e o efeito da recessão econômica sobre a receita por usuário... distorcerão os resultados da América Móvil", afirma o BBVA Bancomer em relatório.

A despeito dos custos cambiais mais elevados e de economias mais pobres, a expectativa é de que ainda assim a América Móvil tenha elevado seu faturamento.

Martin Lara, analista da corretora Vector, estimou que a receita da América Móvil tenha crescido em 11 por cento no quarto trimestre, impulsionada por um crescimento de até 18 por cento na base de assinantes da empresa.

A América Móvil, que opera em 17 países da América Latina e do Caribe, deve anunciar seus resultados trimestrais na quinta-feira.

A receita média esperada pelos sete analistas consultados é de 94,753 bilhões de pesos, mas o lucro líquido projetado é de, em média, 11,05 bilhões de pesos, ante os 15,86 bilhões de pesos registrados no mesmo trimestre de 2007.

Os analistas esperam um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, da sigla em inglês) de 36,323 bilhões de pesos, cifra 10,6 por cento maior que um ano antes, enquanto a margem Ebitda projetada é de 38,3 por cento, ligeiramente inferior à margem de 38,5 por cento de igual período de 2007.

(Reportagem de Tomas Sarmiento)