Contra o crime, México registrará digitais de donos de celular

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009 15:22 BRST
 

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O México iniciará um registro nacional de usuários de celulares que incluirá impressões digitais de todos eles, em um esforço por apanhar os criminosos que usam esse tipo de aparelho para extorquir dinheiro e negociar resgates em sequestros.

Sob uma nova lei que deve entrar em vigor em abril, as operadoras de telefonia móvel terão um ano para montar um banco de dados com informações sobre seus clientes, entre as quais as impressões digitais. A idéia seria identificar os responsáveis por telefonemas e mensagens.

Centenas de pessoas são sequestradas a cada ano no México, e o número de vítimas vem crescendo rapidamente à medida que as gangues de traficantes de drogas, pressionadas pela campanha repressiva da polícia, saem em busca de novas fontes de renda.

Os legisladores que propuseram a medida no Congresso, em 2008, dizem que existem cerca de 700 quadrilhas de criminosos no México, algumas operando de celas de prisão, e que os bandidos utilizam celulares para extorsão e para negociar pagamentos de resgate em sequestros.

A maioria dos 80 milhões de celulares em uso no México usa planos pré-pagos, para os quais minutos podem ser adquiridos em lojas sem que o usuário apresente qualquer prova de identidade. Os celulares podem ter seus minutos recarregados até mesmo em barracas de camelôs.

A nova regra, cujos detalhes foram revelados pelo diário oficial mexicano, significaria que novos proprietários teriam de deixar suas impressões digitais registradas ao adquirir um celular ou assinar um contrato com uma operadora.

O plano também requer que as operadoras armazenem todas as informações quanto aos celulares, como por exemplo registros de chamadas, mensagens de texto e mensagens de voz, por um ano. As informações sobre os usuários e as mensagens serão confidenciais e só poderão ser fornecidas para rastrear criminosos, sob ordem judicial.

Não está claro se o governo fornecerá recursos financeiros para ajudar com a logística do registro.

O bilionário Carlos Slim, que controla a América Móvil, maior operadora de telefonia móvel mexicana e dona da brasileira Claro, disse que a lei seria mais útil se acompanhasse os movimentos dos usuários de celulares. "O que precisa ser feito é outro tipo de medida, mais efetiva", disse Slim aos repórteres.