13 de Fevereiro de 2009 / às 14:14 / em 9 anos

CORREÇÃO-NET descarta crise e mantém plano de investimentos

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A Net Serviços, maior operadora de TV paga do país, viu seu resultado trocar de sinal no quarto trimestre, ao registrar um prejuízo líquido de 91 milhões de reais ante ganho um ano antes de 96 milhões de reais.

Nem por isso, entretanto, a companhia reviu planos de investimentos ou a disposição de continuar a crescer, já que não percebeu recuo nas vendas até o momento e acredita que produtos como telefone e banda larga --que agora fazem parte de sua oferta-- continuem sendo consumidos.

"Essa é a primeira crise dentro de uma nova realidade da Net como empresa multisserviços. A gente respeita muito a crise, estamos tomando todos os cuidados possíveis, mas sem nos acovardarmos", disse José Félix, presidente da Net, em teleconferência com a imprensa.

O balanço foi impactado por despesa com variação cambial relacionada à dívida em dólar da empresa, que cresceu cerca de três vezes em relação aos últimos três meses de 2007.

Em 2008 como um todo, a empresa teve um prejuízo líquido de 95 milhões de reais, ante lucro de 208 milhões de reais em 2007.

A dívida líquida da operadora saltou para 1,02 bilhão de reais no quarto trimestre de 2008 ante 555 milhões de reais um ano antes. Para João Elek, diretor financeiro da companhia, no entanto, "a atual dívida ainda é muito confortável" e o efeito do dólar sentido no último trimestre não pressiona a empresa.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu para 278 milhões de reais no último trimestre do ano passado, ante 216 milhões de reais nos três últimos meses de 2007. A margem no período se manteve em 27 por cento.

A operadora encerrou o quarto trimestre com receita líquida de 1,022 bilhão de reais, crescimento de 28 por cento sobre o verificado no mesmo período de 2007, puxado por um salto de 56 por cento nas unidades geradoras de receitas da empresa. Essas unidades representam o faturamento da empresa com os diferentes serviços que oferece além de TV por assinatura, como acesso rápido à Internet e telefonia.

A base de clientes de TV paga cresceu 24 por cento, para 3,07 milhões, dos quais 887 mil são de serviços digitais, e a de clientes banda larga disparou 56 por cento, para 2,2 milhões usuários. Enquanto isso, os clientes de serviços de telefonia subiram quase três vezes, para 1,8 milhão.

Às 14h23, as ações da companhia exibiam a segunda maior alta do Ibovespa, 4,24 por cento, cotadas 14,75 reais. No mesmo horário, o indicador da bolsa paulista subia 1,28 por cento.

"O maior prejuízo corrói um pouco e a percepção positiva do bom resultado operacional", escreveu a corretora Ativa em relatório, afirmando recomendação de compra para o papel com preço alvo de 20 reais.

INVESTIMENTOS MANTIDOS

A companhia também reiterou a disposição, já anunciada, de investir perto de 1 bilhão de reais nas suas operações em 2009, apesar do corte de investimentos anunciado na terça-feira pela Telmex, controladora da Embratel que, por sua vez, é acionista da Net.

"Os equipamentos importados ficaram mais caros em reais, mas em valores absolutos (o plano) não deve mudar", ressaltou Elek.

A Net investiu no ano passado 992,9 milhões de reais, crescimento de 29 por cento em relação a 2007.

"Não identificamos desaceleração de vendas neste um mês e meio (de 2009), ainda não sentimos queda e continuamos animados em cumprir as nossas metas para este ano", reiterou o diretor financeiro.

Os níveis de inadimplência também se mantiveram estáveis até o momento, de acordo com o executivo, em 0,8 por cento da receita bruta. A Net lembra que 50 por cento dos seus assinantes têm a fatura mensal em débito em conta, o que se torna um inibidor da inadimplência.

Em relação à intenção já anunciada pela empresa de avaliar aquisições, Elek informou que a Net "continua aberta" a oportunidades. "A crise não alterou essa perspectiva da empresa, mas os preços têm de estar adequados aà realidade atual", salientou.

Edição de Alberto Alerigi Jr.

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