Consumo sente crise e faz Abinee reduzir estimativa de vendas

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 13:36 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Os segmentos mais voltados ao consumo estão sentindo os efeitos da crise com mais intensidade e levaram a indústria elétrica e eletrônica a reduzir a expectativa de faturamento em 2009.

O setor, reunido pela Abinee, informou nesta terça-feira a expectativa de que a receita cresça 4 por cento este ano, ante projeção anterior informada em dezembro de que cresceria 7 por cento. Em 2008, a receita dessa indústria cresceu 11 por cento, para 123 bilhões de reais.

Enquanto obras de infraestrutura ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assim como os setores de petróleo e gás e papel e celulose, seguem com boas perspectivas, os segmentos de consumo estão pressionados pela crise financeira.

"As obras de infraestrutura continuam a gerar demanda por equipamentos", afirmou Humberto Barbato, presidente da Abinee, em encontro com a imprensa.

Já os setores ligados ao consumo final, como celulares, microcomputadores e eletrodomésticos, esperam forte queda na receita de 2009, afirmou ele.

Segundo Paulo Castelo Branco, diretor de telecomunicações da Abinee, a expectativa apurada junto às associadas da entidade é que o setor de infraestrutura de redes tenha uma receita 6 por cento maior, mas a de aparelhos celulares caia 29 por cento, o que fará com que a projeção de receita do segmento de telecomunicações como um todo seja negativa em 9 por cento.

"A expectativa de crise chega muito rapidamente ao consumo", disse Castelo Branco. Segundo ele, trata-se muito mais de um sentimento do que de falta de crédito efetivamente. "Com medo, o consumidor está refreando o consumo", reiterou.

Em 2008, o Brasil adicionou 30 milhões de novos usuários de celular, lembra Castelo Branco, mas a expectativa para este ano é que sejam 25 milhões de novos clientes. Além disso, a troca de aparelhos deve perder força.   Continuação...