Relatório critica esforço de combate a militantes na Web

terça-feira, 10 de março de 2009 09:53 BRT
 

Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) - Os governos ocidentais exageraram o papel que a Internet exerce no recrutamento de militantes e as medidas de bloqueio de conteúdo extremista são "brutas, caras e contraproducentes", de acordo com um relatório divulgado na terça-feira.

Quaisquer tentativas de filtrar ou restringir o acesso a sites que preparam potenciais terroristas suicidas são pouco práticas e pouco efetivas, afirma o estudo do International Centre for the Study of Radicalisation and Political Violence (ICSR), em Londres.

De fato, há pouco que os políticos possam fazer, afirma o relatório, produzido por um grupo que une governo, empresas e especialistas, com a missão de estudar a questão.

"A radicalização autônoma e o recrutamento autônomo via Internet, com pouco ou nenhum relacionamento para com o mundo externo, raramente acontecem, e não existe motivo para supor que essa situação venha a mudar no futuro próximo", afirma o estudo. "De fato, a Internet é bastante ineficiente como forma de atrair novos recrutas."

Por anos, governos e agentes de segurança alertaram que a Web vinha permitindo que extremistas, especialmente militantes islâmicos, recrutassem pessoas para sua causa e as radicalizassem.

O antigo secretário da Segurança Interna dos Estados Unidos, Michael Chertoff, certa vez declarou que recrutas não precisavam mais viajar a campos de treinamento da Al Qaeda no exterior, e a Comissão Européia sugeriu tentar o bloqueio de buscas online por material como instruções para a produção de bombas.

Na semana passada, um relatório informava que grupos no Sudeste Asiático estavam utilizando cada vez mais a Web como forma de radicalizar os jovens.

No entanto, o novo estudo sugere que os temores quanto ao poder de radicalização da Internet parecem deslocados. Peter Neumann, presidente do ISCR, diz que existem apenas quatro ou cinco casos reportados na Europa em que o processo aconteceu completamente online.

Ele declarou à Reuters que os provedores de acesso à Internet poderiam fazer mais para lidar com queixas dos usuários sobre material de extremistas, e que os governos regulamentariam a questão caso os provedores não desenvolvam um sistema que permita policiar melhor o conteúdo.