Simpatizante do Kremlin diz ter lançado ciberataque na Estônia

quinta-feira, 12 de março de 2009 13:32 BRT
 

Por Christian Lowe

MOSCOU (Reuters) - Um ativista de um grupo juvenil pró-Kremlin declarou na quinta-feira que ele e seus amigos estavam por trás de um ataque eletrônico lançado dois anos atrás contra a Estônia. O ataque paralisou a Internet do país membro da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A Estônia, que foi parte da União Soviética, atribuiu ao governo russo a culpa pelo ataque, embora o Kremlin tenha negado envolvimento. O incidente levou a aliança militar da Otan a revisar prontidão para defesa contra a guerra cibernética.

Konstantin Goloskokov, ativista do grupo juvenil russo Nashi e assessor de um parlamentar simpático ao Kremlin, disse ter organizado uma rede de simpatizantes que bombardearam sites estonianos com requisições maciças, causando a queda de alguns deles.

Ele disse que a ação foi um protesto contra o desmantelamento, em 2007, de um monumento da era soviética ao exército da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em uma praça no centro de Tallinn, a capital estoniana. A remoção resultou em duas noites de tumultos por manifestantes.

"Não participei de qualquer ataque a redes. O que eu e meus amigos fizemos não foi ataque, mas um ato de desobediência civil, absolutamente legal", disse Goloskokov, 22, em entrevista telefônica à Reuters.

"O objetivo foi expressar nosso protesto contra a política de apartheid disfarçado que a liderança estoniana vinha conduzindo há alguns anos, cuja culminação foi o desmantelamento do monumento aos soldados em Tallinn."

"Apresentamos múltiplas requisições a esses sites", disse ele. "O fato de que eles não tenham suportado o volume é, em termos estritos, culpa das pessoas que não os equiparam devidamente do ponto de vista técnico."

Ele disse que sua ação havia sido empreendida por iniciativa própria e que não havia contado com assistência da Nashi ou de funcionários do governo russo.

A criação do grupo de jovens foi promovida por funcionários do Kremlin, e seus ativistas foram recebidos em audiência pelo então presidente e hoje primeiro-ministro Vladimir Putin. O líder da Nashi é agora diretor de uma agência do governo.