26 de Março de 2009 / às 19:19 / 8 anos atrás

Esperança do setor de computação está nas nuvens

Por Eric Auchard

LONDRES (Reuters) - Ninguém consegue definir com facilidade.

Mas a próxima fase da revolução da computação está surgindo das cinzas da atual crise econômica. A nova abordagem provê poder de computação como serviço via Web, mais ou menos como uma empresa de eletricidade fornece energia, em lugar de fazer com que os consumidores comprem computadores que eles mesmos administram.

O nebuloso termo que designa o processo é “computação em nuvem”.

Pode esquecer aquelas rigorosas distinções entre software, hardware e armazenagem, a Web e o computador pessoal. A maior parte delas desaparece quando tudo isso se funde na nuvem.

As nuvens ficam em centrais de processamento de dados que podem abrigar milhares de máquinas do tamanho de caixas de pizza, computadores de rede capazes de processar cada qual milhões de transações. Eles utilizam os mais recentes softwares, definidos por jargões atualmente na moda como Web 2.0, virtualização e código aberto.

Sempre em busca da próxima grande idéia, o setor de tecnologia decidiu que a nuvem será o seu próximo grande princípio organizador, assim que as empresas retomarem seus padrões normais de dispêndios.

“Motivos econômicos convincentes provavelmente forçarão os usuários a adotar a nuvem”, disse Eric Clementi, gerente geral de computação em nuvem da International Business Machines (IBM), em uma conferência na semana passada. A IBM está estabelecendo núcleos centralizados de computação em nuvem em diversos locais do planeta.

Seis meses depois do início de uma crise financeira que sufocou quase toda a iniciativa empresarial, duas das maiores empresas mundiais de tecnologia estão tomando a ofensiva.

A Cisco, líder em equipamento para redes, entrou no mercado dos grandes computadores para empresas conhecidos como servidores, enquanto a fabricante de computadores IBM está negociando a aquisição da Sun Microsystems, outra produtora de servidores, na maior fusão que a empresa já promoveu, dizem fontes. O valor da transação poderia atingir os oito bilhões de dólares.

Cisco e IBM desejam aproveitar a mudança em curso para a computação em nuvem, especialmente por meio da captura de porções maiores do mercado de componentes para centrais de dados. Elas desejam transformar as vastas centrais de hardware e software de servidores em serviços que os usuários possam alugar conforme necessitem.

A promessa da computação em nuvem é a de eliminar a necessidade de que organizações e indivíduos mantenham seu hardware, software, equipamento de armazenagem e equipamento de rede de computação. O uso da metáfora “nuvem” serve para disfarçar a complexidade do trabalho requerido para integrar tudo isso.

Seria como a diferença entre comprar um carro e cuidar dos consertos necessários quando ele quebra ou arrendá-lo e contar com um mecânico para mantê-lo em operação.

Essas decisões, e a maneira pela qual se desenrolarão nos próximos anos, levarão centenas de pequenas e grandes empresas a reavaliar suas estratégias, antes da onda de fusões que os analistas de Wall Street preveem para o mundo da tecnologia.

A consolidação pode envolver não apenas fabricantes de hardware mas também empresas de software, equipamento para redes, armazenamento de dados e semicondutores, bem como de serviços na Web.

Não há acordo sobre como definir a computação em nuvem. Há complicadas definições acadêmicas e outras criadas para servir necessidades escancaradas de marketing. A fabricante de computadores Dell causou furor no setor ao tentar requerer “computação em nuvem” como marca registrada no ano passado, mas recuou depois de ser fortemente criticada por tentar alegar propriedade sobre uma expressão de uso comum.

O conceito de computação centralizada e fornecida como serviço existe há décadas, desde os anos 60, quando as empresas alugavam tempo em mainframes. Nos anos 90, proliferaram serviços de hospedagem na Web. O uso do termo “nuvem” para descrever o funcionamento da Internet em termos mais amplos remonta aos anos 70.

O processo todo resulta de uma longa transição da computação baseada em hardware para a computação baseada em software e agora na Web. As nuvens permitem que recursos não utilizados de computação sejam compartilhados, ou “virtualizados”, e reutilizados por outros clientes, o que maximiza a eficiência. E para reduzir ainda mais os custos, a maioria desses sistemas funciona com software de código aberto, de baixo custo.

O conceito da computação em nuvem emergiu como a melhor esperança para a madura indústria da computação. A esperança é a de que ela crie condições para uma onda ainda não plenamente imaginada de novos negócios, operados das nuvens.

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