China vê "fantasma da Guerra Fria" em acusação de espionagem

terça-feira, 31 de março de 2009 10:28 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - A China negou nesta terça-feira que esteja usando redes informatizadas para espionar exilados tibetanos e governos estrangeiros, e disse que os autores de tais acusações estão possuídos por "fantasmas da Guerra Fria".

A China foi repetidamente acusada de usar a Internet para invadir secretamente redes no exterior a fim de sabotá-las ou reunir informações. O governo nega repetidamente tais ameaças.

Um relatório do Centro Munk para Estudos Internacionais, de Toronto, disse que pelo menos 1.295 computadores de 103 países foram violados por hackers da China, não necessariamente ligados ao governo.

A chancelaria chinesa disse que os dados se baseiam em rumores e que o governo está comprometido com a segurança da Internet.

"Hoje em dia o problema é que há algumas pessoas no exterior avidamente tramando rumores sobre a chamada espionagem da China na Internet", disse o porta-voz Qin Gang a jornalistas.

"Há um fantasma no exterior chamado Guerra Fria e um vírus chamado ameaça da China", continuou Qin, intercalando frases em inglês para deixar claro o sentido. "Pessoas possuídas pelo fantasma da Guerra Fria constantemente emitem esse vírus da ameaça da China. As tentativas dessas pessoas de usar rumores para caluniar a China nunca terão sucesso."

De acordo com o relatório canadense divulgado no fim de semana, sites de embaixadas, chancelarias e órgãos públicos estrangeiros estariam sendo violados, especialmente no sul e sudeste da Ásia. Centros de exilados tibetanos também seriam alvo.

Um computador instalado no gabinete pessoal do Dalai Lama (líder espiritual tibetano no exílio) foi infectado por um vírus, segundo os pesquisadores. Ele era capaz de roubar e transmitir informações como catálogos de endereços de emails ou documentos relativos a negociações.

O relatório sugere que muitos dos computadores usados para controlar os vírus parecem funcionar em Hainan, onde o governo chinês opera um centro de inteligência por sinais.

Mas o estudo admite que é difícil provar isso, e que há explicações alternativas possíveis. Além da China, sabe-se que Estados Unidos, Israel e Grã-Bretanha também têm sofisticados recursos de espionagem virtual.

(Reportagem de Chris Buckley)