1 de Abril de 2009 / às 20:08 / 8 anos atrás

ENTREVISTA-NET descarta crise e eleva vendas no 1o bimestre

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A NET Serviços de Comunicação, maior empresa de TV paga do país, registrou aumento nas vendas em janeiro e fevereiro em relação a 2008, movimento que se repetiu até meados de março.

A companhia também afirma estarem inalterados o churn (índice de desistência por parte dos clientes) e os indicadores de inadimplência na comparação com o ano anterior, apesar da crise financeira internacional.

Em entrevista à Reuters, o vice-presidente financeiro e de relações com investidores, João Elek, afirmou, inclusive, que em encontro com investidores na semana passada em Nova York, sentiu que há “apetite pelo risco da NET” se a empresa quiser fazer uma emissão.

A empresa está disposta a manter o plano de investimentos de 1 bilhão de reais este ano, mas também se diz pronta para um “plano B”, se o cenário for diferente nos próximos meses. Nesse caso, a operadora se concentraria em reter a base de clientes, mais do que em crescer.

“Para nós a vida está muito boa, e é uma surpresa muito agradável”, disse o executivo nesta quarta-feira.

A companhia não pode divulgar os números fechados ainda porque o balanço fechado do primeiro trimestre só será divulgado no final de abril.

De qualquer forma, o executivo afirma que “não há sinal de desaceleração de vendas. Não é o melhor período do ano, mas na comparação com 2008 vendemos mais”.

“Outra coisa importante é o cancelamento, que também está estável. Hoje o churn médio é entre 14 e 15 por cento, não mudou”, afirmou, citando outro indicador muito delicado para o setor.

O patamar de inadimplência também está estável. “Minha reserva para devedores é na ordem de 1 a 1,1 por cento da receita, o que é bom”, diz.

Um dos motivos para isso, segundo ele, é que, um ano atrás, 30 a 40 por cento dos assinantes da NET tinham débito automático em conta corrente, índice que hoje subiu para 50 por cento. “Isso ajuda”, afirmou.

HÁ APETITE DO INVESTIDOR

Segundo Elek, a NET tem liquidez suficiente para executar o plano de investimento sem emitir dívida, usando sua geração de caixa. Entretanto, uma preocupação do executivo é sobre o futuro.

“O cenário está muito volátil, muito incerto. Eu não sei quanto tempo essa crise de crédito vai durar. Então eu estou procurando dinheiro sim, se tiver em algum lugar eu quero.”

Na sua avaliação, o crédito não secou completamente. “Pontualmente, se vê alguma coisa”, diz ele, citando, como exemplo, a Odebrecht, que anunciou uma emissão esta semana. A empresa tem o mesmo rating da NET, “então existe vida”, conclui.

“Falando com o pessoal fora, eu fiquei muito surpreso porque fui apenas levar informações de que nossa operação continua consistente. Tem gente animada”, conta.

“Eu sondei com grandes fundos globais e fundos só para emergentes e houve apetite para o rating da NET, sim. Se eu fosse fazer uma emissão neste momento eu acredito que a gente teria sucesso na operação”, afirma.

Além do investidor estrangeiro, Elek diz que também está fazendo o seu “dever de casa” junto a investidores brasileiros.

EFEITO DO DÓLAR

No último trimestre do ano, o balanço da NET sentiu os efeitos da variação do dólar em seu endividamento. Questionado se iria trocar a dívida em moeda estrangeira por nacional, Elek afirma que estuda isso “todo dia”.

Ele lembra, porém, que “todo mundo aposta no futuro em um dólar caindo”. Sua preocupação, diz ele, é com o vencimento de sua dívida em dólar -- a 1a parcela vence em 2017. “Fazer hoje um contrato de hedge até 2017 é tão caro que ela não está protegida”.

Além disso, ele acredita que “se hoje fosse trocar a dívida e tentar protegê-la, estaríamos fazendo na hora inadequada porque não acredito que o câmbio deixe de ceder”.

No fechamento preliminar na Bovespa, as ações da Net encerraram estáveis, a 17,09 reais, enquanto o Ibovespa registrou alta de 2,45 por cento.

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