Robôs matadores trazem ficção científica para campo de batalha

quarta-feira, 22 de abril de 2009 13:59 BRT
 

Por Bernd Debusmann

WASHINGTON (Reuters) - Eles não têm medo, jamais se cansam e não se perturbam quando o soldado ao lado desaparece em uma explosão. Seu moral não é prejudicado pela necessidade de fazer os trabalhos perigosos, sujos ou tediosos que sempre representaram problemas para as forças armadas.

Trata-se de robôs militares, e seus números e sofisticação crescentes podem servir como prenúncio ao final de milênios de monopólio humano sobre as atividades de guerra. "A ficção científica está chegando ao campo de batalha. O futuro está próximo", disse Peter Singer, pesquisador da Brookings Institution, em uma conferência de especialistas do Army War College dos Estados Unidos, este mês, na Pensilvânia.

Singer acaba de publicar um livro que acompanha a ascensão dessas máquinas e prevê que nas guerras do futuro elas desempenharão papel maior não só na execução de missões como em seu planejamento.

Os números refletem o crescimento explosivo dos sistemas robotizados. As forças dos EUA que invadiram o Iraque em 2003 não contavam com robôs. No Afeganistão, eles tampouco estavam presentes. Agora, as duas guerras estão sendo travadas com a ajuda de um total estimado em 12 mil robôs terrestres e sete mil veículos aéreos não tripulados (UAVs), o termo técnico para aviões robotizados.

Os robôs terrestres salvaram centenas de vidas no Iraque ao desarmar dispositivos explosivos improvisados, que respondem por mais de 40 por cento das baixas norte-americanas.

O primeiro robô armado entrou em ação no Iraque em 2007, e é tão letal quanto é longo seu acrônimo --SWORDS, ou sistema especial de armas, reconhecimento e observação remota e ação direta. A metralhadora M249 com a qual está equipado pode atingir alvos a mais de mil metros de distância, com precisão milimétrica.

No ar, o mais conhecido dos UAVs, o Predator, matou dezenas de líderes insurgentes, bem como dezenas de civis cujas mortes provocaram protestos dos governos do Afeganistão e Paquistão.

Os Predators são controlados por operadores instalados na base Creech da força aérea dos EUA, em Nevada, a 13 mil quilômetros do Afeganistão e dos santuários do Taleban no lado paquistanês da fronteira afegã. Os pilotos acomodados em Nevada não correm quaisquer riscos físicos, o que representa uma novidade para homens envolvidos em uma guerra.

 
<p>Aeronave militar de reconhecimento Predator, usada pelo Ex&eacute;rcito dos Estados Unidos.</p>