14 de Maio de 2009 / às 21:27 / em 8 anos

Dívida para compra da Brasil Tel derruba lucro da OI

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - O aumento do endividamento e das despesas financeiras para a compra da Brasil Telecom derrubaram o lucro da Oi, segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira, primeiro demonstrativo que inclui os números da companhia adquirida.

A Oi, entretanto, espera alongar o perfil da dívida durante o ano e reduzir a relação dívida líquida/Ebitda até 2011, segundo o diretor de finanças e relações com investidores, Alex Zornig, em teleconferência com a imprensa.

A Oi informou um lucro líquido de 11 milhões de reais no primeiro trimestre do ano, número que equivale a uma queda de 98 por cento, já que os números das duas empresas consolidados mostram um lucro de 564 milhões de reais em igual trimestre do ano passado.

A dívida líquida consolidada atingiu 19,2 bilhões de reais, com o acréscimo de 9,4 bilhões de reais sobre dezembro de 2008, por conta da consolidação da dívida da Brasil Telecom e os desembolsos para a aquisição da companhia.

Zornig esclarece, entretanto, que "só 2 por cento da dívida está exposta", o restante está protegido por operações de hedge.

As despesas financeiras atingiram 630 milhões de reais, ante a cifra de 168 milhões de reais do mesmo trimestre do ano passado.

COMPROMISSOS PARA 2009 RESOLVIDOS

O executivo afirmou que "todos os compromissos para 2009 já estão resolvidos". Por isso, acrescentou, "só vamos começar a pensar em alguma outra captação grande no segundo semestre". Antes disso, explicou, só se abrir uma janela de oportunidade no mercado.

A companhia vendeu bônus de 750 milhões de dólares em abril e encontrou uma demanda de 4 vezes, de acordo com o executivo. "Isso nos dá bastante alento para o futuro", afirmou Zornig.

A queda na taxa Selic, entretanto, torna o mercado doméstico mais atraente, segundo ele, que ainda citou a possibilidade de obtenção de empréstimos com bancos de fomento.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, da sigla em inglês), ficou em 2,19 bilhões de reais no primeiro trimestre deste ano, cifra 15,2 por cento menor que o resultado pró-forma do ano anterior.

A Oi prevê chegar ao final de 2009 com uma relação dívida/Ebitda em torno de duas vezes, mas quer reduzir o índice para 1,8 ou 1,9 até 2011. A forma para isso, segundo o diretor, será elevar o Ebitda e reduzir a dívida líquida.

SINAIS DE INADIMPLÊNCIA

A receita líquida da nova Oi teve alta de 3,5 por cento sobre o mesmo trimestre de 2008, para 7,49 bilhões de reais.

A receita média por usuário, entretanto, caiu em todos os serviços da companhia (telefonia fixa, celular e banda larga).

A provisão para devedores duvidosos (PDD), por sua vez, teve uma alta de 16,4 por cento. Zornig, no entanto, afirmou que a provisão ficou "por volta de 3,5 por cento da receita bruta, em linha com primeiro trimestre de 2008, que era de 3,3 por cento".

Segundo ele, "basicamente é na móvel que (a Oi) percebeu um aumento da inadimplência, na fixa não".

Além disso, ele citou que o usuário de celular pré-pago também tem feito menos recargas do que nos trimestres anteriores, o que pode explicar a queda da receita média por usuário.

Para o executivo, a queda na receita por cliente da Oi "foi menor que a maioria dos concorrentes" e a empresa ainda está iniciando operações no Estado de São Paulo, "o que afeta um pouco a comparação".

OPAS ATÉ JUNHO

A Oi espera a aprovação formal da CVM para realizar as ofertas públicas pelas ações da Brasil Telecom em circulação.

De acordo com o diretor, a CVM deve dar seu aval na próxima semana. A partir disso, a Oi acredita que por volta de 15 de junho possa finalizar as duas ofertas.

Edição de Eduardo Simões

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