Lagardère descarta cobrar por acesso a conteúdo na Web

terça-feira, 19 de maio de 2009 15:43 BRT
 

PARIS (Reuters) - O grupo Lagardère, maior editora mundial de revistas, não tem planos de começar a cobrar pelo acesso ao conteúdo de seus sites, uma idéia que foi ventilada como maneira de compensar a queda nas receitas publicitárias.

"Por enquanto, do ponto de vista do consumidor, fazer com que as pessoas paguem pelo conteúdo não é um modelo de negócios viável", disse Dominique d'Hinnin, o vice-presidente de finanças do grupo, na Reuters Global Technology Summit, em Paris, nesta terça-feira. "No longo prazo, quem sabe? A Internet é uma mídia muito nova", acrescentou.

Rupert Murdoch, o presidente do conselho da News Corp., anunciou este mês que alguns dos jornais de interesse geral de sua empresa, além do Wall Street Journal, que sempre teve acesso pago, podem começar a cobrar pelo acesso aos seus sites nos próximos 12 meses.

O Guardian Media Group, do Reino Unido, também informou recentemente que pode começar a cobrar por alguns sites premium, à medida que os grupos de notícias começam a tentar reverter o conceito de que o conteúdo na Internet deve ser gratuito.

Os gastos mundiais em publicidade nas revistas devem cair 11 por cento este ano, para 49 bilhões de dólares, de acordo com as mais recentes projeções da ZenithOptimedia.

"Não é tarde demais", disse d'Hinnin, mas acrescentou que "muito poucas empresas o conseguem. O Wall Street Journal... é comprado por empresas, não por pessoas que usam dinheiro pessoal".

D'Hinnin disse que até agora existia apenas uma exceção na França, a do jornal Le Monde, que oferece acesso apenas por assinatura. "As assinaturas em geral são adquiridas por franceses que vivem no exterior. O negócio é bom, funciona bem, mas não tem crescimento rápido".

O executivo comparou o modelo de negócios atualmente visto como normal para a distribuição de conteúdo na Web, bancado pela venda de espaço publicitário, ao do rádio.

"A empresa consegue atrair uma audiência com um determinado conteúdo, e vende essa audiência aos anunciantes. As estações de rádio oferecem conteúdo gratuito há muito tempo", ele disse, acrescentando que o mesmo modelo poderia funcionar na Web para marcas fortes como a da revista Elle, propriedade da Lagardère.

(Reportagem de Georgina Prodhan)