Setor de telecomunicações precisa mudar, ou vai perder

quinta-feira, 21 de maio de 2009 14:27 BRT
 

Por Harro ten Wolde

PARIS (Reuters) - As operadoras europeias de telecomunicações estão enfrentando uma batalha perdida, caso continuem a se apegar ao seu atual modelo de negócios, e terão de se reinventar, ainda que o processo possa demorar alguns anos, disseram executivos do setor.

"O mercado de telefonia móvel está aberto a perturbações; é um mercado inflado, os custos são altos, o número de funcionários é excessivo, há produtos demais e as mensagens que envia ao consumidor são confusas", disse Frank Meehan, presidente-executivo da INQ, durante o Reuters Global Technology Summit, em Paris.

Ainda que as operadoras europeias de telecomunicação não tenham sofrido demais com a recessão, a pressão vai crescer, vinda de clientes que se comunicam via redes sociais como o Facebook ou o serviço de telefonia via Internet Skype, e exigirão aplicativos que funcionem em um único aparelho.

"É uma ameaça ao modelo de negócios que o setor emprega... Pode-se ver como ameaça... Mas também se pode aproveitar a situação... Acredito que a Skype represente na verdade uma oportunidade", disse Stan Miller, diretor da divisão internacional do grupo holandês de telecomunicações KPN.

Miller conseguiu reverter a situação da E-Plus, a marca da KPN na Alemanha, bem como a da BASE, na Bélgica, abandonando o modelo de subsidiar as vendas de aparelhos e optando por tarifas baixas e simples, em 2005.

"Acredito que as operadoras ainda continuem a funcionar apesar da Skype. As operadoras de telefonia fixa continuam a ganhar muito dinheiro, embora a Skype esteja em toda parte", disse Meehan, da INQ.

Miller sugeriu que os grupos de telecomunicações não deverão se beneficiar de oportunidades caso continuem a trabalhar como se nada tivesse mudado. "Einstein afirmou que a definição de insanidade é fazer tudo do mesmo jeito e esperar resultados diferentes", acrescentou.

Frank Esser, presidente-executivo da SFR, a segunda maior operadora de telefonia móvel francesa, controlada pelo grupo francês de mídia Vivendi e pela Vodafone não vê vantagem em trabalhar com a Skype.   Continuação...