21 de Maio de 2009 / às 17:30 / 8 anos atrás

Setor de telecomunicações precisa mudar, ou vai perder

Por Harro ten Wolde

PARIS (Reuters) - As operadoras europeias de telecomunicações estão enfrentando uma batalha perdida, caso continuem a se apegar ao seu atual modelo de negócios, e terão de se reinventar, ainda que o processo possa demorar alguns anos, disseram executivos do setor.

"O mercado de telefonia móvel está aberto a perturbações; é um mercado inflado, os custos são altos, o número de funcionários é excessivo, há produtos demais e as mensagens que envia ao consumidor são confusas", disse Frank Meehan, presidente-executivo da INQ, durante o Reuters Global Technology Summit, em Paris.

Ainda que as operadoras europeias de telecomunicação não tenham sofrido demais com a recessão, a pressão vai crescer, vinda de clientes que se comunicam via redes sociais como o Facebook ou o serviço de telefonia via Internet Skype, e exigirão aplicativos que funcionem em um único aparelho.

"É uma ameaça ao modelo de negócios que o setor emprega... Pode-se ver como ameaça... Mas também se pode aproveitar a situação... Acredito que a Skype represente na verdade uma oportunidade", disse Stan Miller, diretor da divisão internacional do grupo holandês de telecomunicações KPN.

Miller conseguiu reverter a situação da E-Plus, a marca da KPN na Alemanha, bem como a da BASE, na Bélgica, abandonando o modelo de subsidiar as vendas de aparelhos e optando por tarifas baixas e simples, em 2005.

"Acredito que as operadoras ainda continuem a funcionar apesar da Skype. As operadoras de telefonia fixa continuam a ganhar muito dinheiro, embora a Skype esteja em toda parte", disse Meehan, da INQ.

Miller sugeriu que os grupos de telecomunicações não deverão se beneficiar de oportunidades caso continuem a trabalhar como se nada tivesse mudado. "Einstein afirmou que a definição de insanidade é fazer tudo do mesmo jeito e esperar resultados diferentes", acrescentou.

Frank Esser, presidente-executivo da SFR, a segunda maior operadora de telefonia móvel francesa, controlada pelo grupo francês de mídia Vivendi e pela Vodafone não vê vantagem em trabalhar com a Skype.

Perguntado se conseguia ver a Skype como oportunidade e não ameaça, Esser parou para pensar e respondeu: "Creio que não."

Mas a nova face da indústria não emergirá nos próximos três ou quatro anos. Porém, quando surgir, as gigantes concessionárias de telecomunicações poderão fazer parte do quadro.

"Não vai acontecer amanhã. Vai exigir muita transformação e muito tempo", afirmou Miller.

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