21 de Maio de 2009 / às 19:15 / 8 anos atrás

ENTREVISTA-Sem ofertas de compra, Positivo quer manter liderança

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A Positivo Informática está otimista com a retomada do mercado este ano e não pretende abrir mão de sua liderança no mercado brasileiro de PCs, apesar da chegada de novos rivais, afirmou o presidente da empresa, Hélio Rotenberg.

A Positivo foi alvo de uma oferta de compra pela chinesa Lenovo no final do ano passado, recusada pelos acionistas majoritários.

Rotenberg disse que a empresa não recebeu outras propostas além dessa e os controladores sinalizam que enxergam a companhia de informática como um investimento que, “sem dúvida”, eles querem manter.

“Recusamos uma oferta (da Lenovo) de 18 reais por ação, o dobro da atual cotação, o que é uma prova inequívoca de que o controlador confia na empresa”, afirmou o executivo à Reuters no final da tarde de quarta-feira.

Em relação à recente valorização dos papéis, em parte pelos rumores de venda, Rotenberg entende que “o comprador (da ação) começou a entender melhor a nossa empresa”.

Curiosamente, a própria Lenovo anunciou sua chegada no varejo brasileiro nesta semana. Rotenberg estranhou as declarações de um diretor da subsidiária da empresa chinesa no Brasil, que disse que a companhia quer liderar as vendas no varejo do país até 2011, com uma participação entre 12 e 13 por cento. “Eles esperam que a gente caia para 11 por cento?”, questionou Rotenberg.

“Respeito os concorrentes, mas acredito que a gente tem uma grande chance de manter a liderança, produzimos produtos voltados ao consumidor brasileiro, e não modelos trazidos de fora, temos relacionamento grande com os varejistas, entendemos o varejo”, afirmou o presidente da Positivo.

Ele ressaltou, no entanto, que isso não quer dizer que a Positivo possa se acomodar. “Claro que não é para deitar em berço esplêndido, não podemos nos acomodar”, adicionou.

CRÉDITO AINDA ATRAPALHA

Enquanto o mercado brasileiro teve um recuo de 12 por cento nas vendas em volumes no primeiro trimestre sobre igual período de 2008, segundo números da IT Data, a Positivo não sentiu a mesma queda. “A gente cresceu em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Foi pouco, menos de 1 por cento, mas não caímos”, salientou Rotenberg.

Ele admite que “o mercado de varejo não está nos mesmos patamares do que no ano passado”, mas a companhia tem conquistado grandes projetos governamentais de compra de PCs e tem ampliado a participação de mercado no comércio, segundo dados da consultoria IDC citados pelo executivo.

No quarto trimestre de 2008, informou Rotenberg, a participação da Positivo teve um salto de 6,5 pontos percentuais sobre o trimestre anterior, para 29,8 por cento. Nos três primeiros meses de 2009, a fatia subiu para 29,99 por cento das vendas do varejo, de acordo com a apuração do IDC.

O único problema que persiste no varejo, segundo o presidente da Positivo, é a oferta de crédito. “Isso não melhorou. A boa notícia é que já atingiu o fundo do poço, já não está caindo”, disse ele, que cita um aumento das restrições por parte das financeiras em aprovar os empréstimos.

De qualquer forma, Rotenberg afirmou que vê reação do mercado. “Estamos otimistas, o mercado está reagindo, e nós estamos indo bem na medida em que estamos vendendo em todos os mercados em que possamos vender”, afirmou.

Edição de Cesar Bianconi

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