Operadoras estão de olho em banda larga na América Latina

quinta-feira, 4 de junho de 2009 09:23 BRT
 

Por Noel Randewich

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - As operadoras de telefonia celular América Móvil e Telefónica apostam que iPhones e netbooks vão liderar o crescimento do mercado, mas terão que cortar os preços se quiserem alcançar a maioria dos consumidores.

Investidores apostam que a receita dos serviços de Internet devem ajudar a impulsionar o crescimento de ambas as empresas, uma vez que as margens de lucro em seus negócios tradicionais de telefonia estão sob pressão em um mercado cada vez mais saturado.

Mas, enquanto latino-americanos em bairros nobres como Jardins, em São Paulo, e Polanco, na Cidade do México, navegam pela Internet em BlackBerries ou iPhones, a maioria das pessoas na região continua usando aparelhos mais baratos com planos pré-pagos.

"O crescimento vai depender de alguém aparecer com um clone de iPhone bem barato", disse Michael Minges, analista da consultoria Telecommunications Management Group. "Se o aparelho de entrada é muito caro, simplesmente não se consegue conquistar essa demanda."

A maioria dos latino-americanos usa planos de telefonia celular pré-pagos e a líder da região América Móvil, controlada pelo bilionário Carlos Slim, e sua principal concorrente Telefónica, lançaram planos pré-pagos para conexões de Internet, cobrando cerca de 32 dólares por mês de acesso banda-larga no celular ou no laptop, no México.

Já no Brasil, a operadora Vivo foca na ampliação de negócios de dados, depois de ter atualizado infraestrutura para a tecnologia de terceira geração, ou 3G.

A receita da América Móvil com serviços de dados cresceu 47 por cento no primeiro trimestre, principalmente graças aos serviços 3G. A Telefónica, por sua vez, que opera tanto redes de telefonia fixa quanto móveis em toda a região, relatou um aumento de 18,6 por cento no número de assinantes de banda-larga no trimestre.

Mas, em uma região onde uma em cada quatro pessoas vive com menos de 2,50 dólares por dia, smartphones e computadores comprados a prestação continuam fora do alcance de muitos.

O analista Andres Coello, do BBVA, estima que 24 milhões de latino-americanos são assinantes de banda larga e o crescimento este ano deve ser de 20 por cento. Em 2010, a expansão deve perder parte da força.

Para impulsionar o crescimento, a América Móvil está vendendo netbooks equipados com modems no México que podem ser comprados a prestações mensais de cerca de 50 dólares.