Pobres podem se beneficiar com uso bancário de celulares

quarta-feira, 24 de junho de 2009 17:25 BRT
 

BARCELONA (Reuters) - A possibilidade de usar um celular para transferir dinheiro, pagar contas e até mesmo como ferramenta para poupança poderia oferecer a algumas das pessoas mais pobres do mundo a oportunidade de ganhar acesso ao sistema financeiro, afirmam bancos e operadoras de telecomunicação.

Embora as transações microfinanceiras tenham atingido 100 milhões de pessoas por meio de instituições como o Grameenbank e projetos comunitários em pequena escala, a GSM Association (GSMA), uma organização setorial das empresas de telefonia móvel, calcula que um número pelo menos quatro vezes maior de pessoas desprovidas de contas bancárias possa se beneficiar dos serviços financeiros via celular.

"O modelo do Grameenbank funciona, mas é difícil expandi-lo", disse Hannes van Rensburg, presidente-executivo da Fundamo, uma empresa de serviços financeiros via celular, na quarta-feira.

"O problema se relaciona à inércia do dinheiro. É muito difícil transferir quantias pequenas rapidamente", ele declarou em uma entrevista à Reuters durante a conferência Mobile Money, promovida pela GSMA em Barcelona.

A Fundamo, da África do Sul, é a maior fornecedora mundial de software e serviços para transferências bancárias via celular, e domina cerca de um quarto do mercado mundial, atendendo a bancos e operadoras de telefonia móvel. Mais de 100 milhões de transações foram realizadas por meio de suas plataformas no ano passado.

Essas transações podem ter valores da ordem de apenas 30 centavos de dólar, já que os fornecedores de serviços financeiros em celulares querem atender a usuários cuja renda pode ser inferior a dois dólares diários.

No momento, cerca de 3,5 bilhões de pessoas, ou mais de metade da população mundial, não dispõem de acesso a serviços bancários. No entanto, um bilhão dessas pessoas têm celulares e a GSMA considera que esse total deve subir a 1,7 bilhão de pessoas em 2012.

O acesso a serviços financeiros pode não só eliminar a necessidade de jornadas longas, dispendiosas e arriscadas para transferir dinheiro, mas também reduz o desgaste causado pela necessidade de administrar o dinheiro de maneira ativa e cuidadosa, para pessoas que vivem com quantias ínfimas e em risco constante diante de crises financeiras.