Google é criticado em disputa entre EUA e China sobre a Web

quinta-feira, 25 de junho de 2009 10:29 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - A China intensificou suas acusações de que o Google está difundindo conteúdo obsceno via Internet na quinta-feira, um dia depois que representantes do governo dos Estados Unidos pediram para Pequim abandonar planos para forçar a instalação de um polêmico software de filtragem nos computadores novos vendidos no país.

A crescente fricção quanto ao controle do conteúdo online ameaça se tornar mais um fator de irritação no relacionamento em um período no qual o mundo espera que EUA e China cooperem a fim de ajudar a economia mundial a sair da crise.

O Ministério do Exterior da China acusou na quinta-feira o serviço de buscas do Google em inglês de difundir imagens obscenas que violam as leis do país, menos de 24 horas depois de interrupções nas buscas e outros serviços da empresa no mercado chinês.

Qin Gang, porta-voz do ministério, não afirmou diretamente que as interrupções resultarão em ação oficial, mas deixou clara a ira do governo e declarou que as "medidas punitivas" contra o Google eram legais.

"O serviço de buscas em inglês do Google difundiu largo volume de conteúdo vulgar, lascivo e pornográfico, em séria violação às leis e regulamentos relevantes da China", disse ele durante uma entrevista coletiva. Um porta-voz do Google na China se recusou a comentar.

Enquanto isso, Gary Locke, secretário do Comércio, e Ron Kirk, representante do governo norte-americano para assuntos de comércio internacional, expressaram na quarta-feira preocupações contra o software "Green Dam" em carta às autoridades chinesas.

"A China está colocando empresas em posição insustentável ao exigir, praticamente sem notificação do público, que pré-instalem um software que parece ter amplas implicações de censura e suscitar questões de segurança de rede", afirmou Locke em comunicado.

A China afirma que o objetivo do software de filtragem é proteger crianças contra imagens ilegais e insiste em que o prazo para que os computadores novos do país comecem a ser vendidos equipados com o programa, 1o de julho, não será mudado.

Um porta-voz do Ministério do Comércio chinês, que lida com disputas comerciais, afirmou que o governo não tinha resposta imediata às críticas dos EUA e encaminhou as questões ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, que tampouco quis comentar.

 
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