China recua antes de impor filtro polêmico de Internet em PCs

terça-feira, 30 de junho de 2009 14:26 BRT
 

Por Chris Buckley e David Stanway

PEQUIM (Reuters) - A China adiou por tempo indefinido um plano muito criticado que forçaria os fabricantes de computadores a incorporar um software de filtragem de Internet aos PCs vendidos no país, em um abrupto recuo apenas algumas horas antes do prazo estipulado para a entrada em vigor da nova norma.

O recuo foi reportado nesta terça-feira pela agência oficial de notícias chinesa Xinhua.

O plano, que as autoridades chinesas alegavam ser uma forma de eliminar a pornografia de Internet, proibida no país, deveria entrar em vigor na quarta-feira, mas foi atacado por críticos da censura, organizações setoriais e representantes do governo dos Estados Unidos, e descrito como intrusivo em termos políticos, inefetivo em termos técnicos e comercialmente injusto.

Não foi anunciada uma nova data para a adoção da norma, e o plano pode simplesmente terminar esquecido.

Em um momento no qual o Partido Comunista, que governa a China, parece cada vez mais seguro de seus poderes de controle sobre a economia, a sociedade e a Internet, o recuo foi um lembrete vívido de que o governo chinês, ainda que vasto, pode tropeçar em suas ambições.

"Eles jamais esperavam que as reações adversas fossem tão veementes", disse Wang Jinxiu, empresário de Internet em Pequim contrário ao plano e a outras formas de censura.

"A ideia será simplesmente abandonada, agora, e o governo espera que em breve seja esquecida, eu diria", acrescentou Wang.

O Ministério da Indústria e da Tecnologia da Informação aceitou as críticas dos fabricantes de computadores, mas deixou em aberto a possibilidade de que o esquema de censura venha a retornar em algum outro formato. E não resta dúvida de que o Partido Comunista continua preocupado com a Internet, que hoje tem cerca de 300 milhões de usuários na China.

"Algumas empresas mencionaram o trabalho pesado, a pressão dos prazos e a falta de preparativos", declarou um funcionário não identificado no site do ministério.