Bill Gates incentiva Índia a trocar terceirização por pesquisa

sexta-feira, 24 de julho de 2009 11:26 BRT
 

Por Matthias Williams

NOVA DÉLHI, 14 de julho (Reuters) - O bilionário Bill Gates incentivou a Índia nesta sexta-feira a trocar o fornecimento de mão-de-obra de baixo custo pela pesquisa e desenvolvimento avançados, a fim de manter a competitividade de seu gigantesco setor de tecnologia da informação.

Em visita a Nova Délhi, o co-fundador da Microsoft apelou ao governo indiano para acelerar investimento em pesquisa e desenvolvimento e que incentive programas de doutorado nas universidades do país.

Gates declarou durante um debate que a "história de sucesso na tecnologia da informação" que a Índia conquistou deveria agora prosseguir com um esforço por adicionar valor e deixar para trás o fornecimento de mão-de-obra de baixo custo, atividade a que outros países em desenvolvimento estão começando a se dedicar.

"No começo, parte disso (o boom da tecnologia da informação) foi construída com base na mão-de-obra de baixo custo. E evidentemente, à medida que o tempo passa, não é isso que vocês desejam como único diferenciador, porque não é algo sustentável; outros países podem oferecer a mesma coisa", disse Gates.

O setor de pesquisa e desenvolvimento indiano avançou nos últimos anos, atraindo algumas empresas estrangeiras importantes, entre as quais a Microsoft, para acompanhar o boom que a tecnologia da informação e os serviços terceirizados propiciaram ao país.

Mas prejudicada por problemas estruturais e por falta de apoio do governo, a Índia ainda está para trás dos Estados Unidos e da China, sua rival asiática. A China conta com mais de 1,1 mil centros de pesquisa e desenvolvimento, ante menos de 800 na Índia.

"As grandes empresas aqui estão contribuindo com muitas ideias e técnicas. Isso precisa acontecer em escala ainda maior para que o pleno potencial seja realizado", disse Gates.

"É preciso que o governo, as universidades e empresas como a Microsoft assumam compromissos mais firmes para com a pesquisa e desenvolvimento", afirmou.

A Índia concede 100 doutorados anuais em ciência da computação -muito menos que a China ou os EUA- e exporta muitos de seus estudantes. Embora a Índia, onde quase toda a população fala inglês, seja mais barata que a China para pesquisa e desenvolvimento, Délhi não oferece muitos incentivos aos pesquisadores.

Pequim oferece isenções fiscais para centros de pesquisa e as zonas econômicas especiais da China oferecem infraestrutura para o setor de tecnologia.