Ícone canadense Nortel começa a vender ativos

sexta-feira, 24 de julho de 2009 14:23 BRT
 

Por Pav Jordan

TORONTO, 24 de julho (Reuters) - A Nortel Networks, antigo ícone do setor tecnológico canadense com raízes que remontam à Primeira Guerra Mundial, está iniciando a venda de alguns de seus principais ativos nesta sexta-feira, por meio de um processo de leilão que polariza opiniões e ocasionalmente ganha jeito de novela.

O primeiro lote envolve os valiosos ativos da Nortel nas tecnologias CDMA e LTE, que incluem tecnologias cobiçadas pelas maiores fabricantes mundiais de equipamentos para telecomunicações.

"A carcaça de uma das gigantes dos últimos 15 anos está em disputa, e ao vencedor cabem os despojos", disse Carmi Levy, analista independente de tecnologia. "Ainda que a Nortel tenha sido vista com desdém por boa parte dos últimos 10 anos, isso não impediu que alguns de seus mais ferozes concorrentes emergissem para disputar a presa", acrescentou.

A venda de ativos começou discretamente, aparentemente sem muito interesse dos potenciais compradores até os últimos dias, quando interessados europeus entraram na disputa e a Research in Motion, companhia canadense que fabrica os celulares inteligentes BlackBerry, anunciou que desejava o controle dos negócios da Nortel no segmento de comunicação sem fio. A empresa chegou a alegar ao governo canadense que manter essas tecnologias em mãos canadenses era vital para a segurança nacional.

No seu ápice, a Nortel teve as ações de maior peso no índice da bolsa de valores de Toronto, com valor de mercado superior a 250 bilhões de dólares. Em janeiro, a empresa pediu concordata depois de anos de demissões, cortes de custos e correções de seus balanços.

Os ativos em disputa na sexta-feira são vistos como essenciais para as transmissões sem fio de próxima geração e poderiam permitir acesso semelhante ao da banda larga fixa para os usuários de celulares.

A Nortel detém extensas patentes sobre a tecnologia MIMO, sigla para multiple input multiple output, usada em antenas.

Caso a tecnologia entre em uso generalizado em celulares, os fabricantes de celulares inteligentes que a usarem poderão se diferenciar melhor da concorrência, dizem analistas.   Continuação...