Música maasai no iTunes? Agência da ONU tenta ajudar

quarta-feira, 29 de julho de 2009 15:00 BRT
 

Por Laura MacInnis

GENEBRA, 29 de julho (Reuters) - O povo maasai, do Quênia, pediu ajuda às Nações Unidas para fazer de suas canções, danças e histórias ativos protegidos por direitos autorais, um modelo que poderia gerar novas receitas para grupos indígenas em todo o mundo.

Wend Wendland, diretor da divisão de conhecimento tradicional na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), disse que o projeto exibia um imenso potencial para que comunidades organizem, arquivem e também extraiam receita de sua riqueza cultural.

Sob o programa-piloto, os maasai receberam da OMPI na semana passada um laptop, câmera e gravador digital no valor de 12 mil francos suíços (11 mil dólares), e foram treinados em como conduzir entrevistas, catalogar arquivos digitais e manter conteúdos.

"Eles estão capacitados a realizar gravações digitais de música, história oral, entrevistas com os anciãos, e assim por diante", disse Wendland à Reuters, explicando que essas fotos e arquivos de áudio podem ser protegidos por direitos autorais, e que conhecimento ambiental e médico tradicional pode ser patenteado.

Embora expressões culturais em si não possam se tornar propriedades, o advogado sul-africano afirmou que gravações digitais delas poderiam com o tempo produzir royalties valiosos para o povo maasai, que controlaria a distribuição.

"Isso lhes propicia algum controle", disse ele. "Muitas vezes, é a gravação mesma que acaba sendo apropriada de maneira indevida. É a gravação que de alguma forma termina em um arquivo em algum lugar, o qual terminará por ser utilizado por interesses privados, como já aconteceu no setor de música e de cinema."

A OMPI foi contatada por organizações indígenas do Pacífico e da América Latina que desejam reproduzir o projeto de gravação dos maasai, nascido no início de 2006 devido a um apelo dos líderes da comunidade.

Os maasai devem ter seu primeiro lote de arquivos digitais produzido dentro de meses, e decidirão, então, o que fazer com as gravações.

A OMPI anunciou que apoiará o projeto em longo prazo e que, se solicitada, ajudará a comunidade a distribuir arquivos online e por meio de canais comerciais.