Espiões da geração Y ajudam agências a enfrentar terrorismo

segunda-feira, 3 de agosto de 2009 12:12 BRT
 

Por William Maclean

LONDRES (Reuters) - Um fluxo de jovens recrutas com fortes capacidades de computação e hábitos de pensamento forjados com ajuda da vida online representa um teste geracional para as agências ocidentais de espionagem, que se esforçam por se adaptar a uma ameaça terrorista que muda de forma constantemente.

Desde que se integrem bem aos seus colegas mais velhos, a nova "geração digital" de espiões e analistas de inteligência na casa dos 20 anos vai reforçar o conhecimento ocidental sobre os grupos extremistas que agem cada vez mais na Internet e através das fronteiras, afirma o especialista em segurança Kevin O'Brien.

Melhorar o desempenho dos serviços de segurança era uma prioridade importante para o Ocidente depois dos ataques do 11 de setembro de 2001 e da invasão do Iraque em 2003, eventos em geral vistos como indicadores de profundas falhas em termos de coleta, coordenação e análises de informações.

O ex-presidente norte-americano George W. Bush lançou a invasão ao Iraque mencionando a ameaça das armas em destruição em massa supostamente controladas pelo governo de Saddam Hussein. Não foram localizadas armas desse tipo no país.

O papel dos serviços de informações britânicos quanto à invasão provavelmente será examinado no inquérito sobre a guerra que se iniciará em breve no Reino Unido, para o qual o ex-primeiro ministro Tony Blair deve ser convidado a depor.

Muitos serviços ocidentais de informações se expandiram depois do 11 de setembro para formar quadros mais jovens, mais diversificados, com mais capacitação linguística e conhecimento de computação suficiente para avaliar e agir rapidamente com relação ao influxo cada vez maior de informações, boa parte das quais provenientes de fontes abertas.

Mas o sucesso na admissão da "Geração Y", as pessoas nascidas nos anos de 1980 e começo da década de 90, depende de fechar uma lacuna geracional que é tão clara no mundo da informação quanto em outras áreas da sociedade, segundo O'Brien, um consultor de segurança e informações.

"Isso acontece. É um problema", disse O'Brien sobre as diferenças que surgem quanto a conhecimento de computação ou formas de pensar, entre os agentes mais veteranos e os jovens recrutas.

Fóruns online de treinamento e direcionamento estão ajudando a integrar as diferentes gerações e diferentes habilidades, afirma ele, "mas você sempre terá indivíduos em ambas as gerações que simplesmente não se sentem confortáveis, que não entendem o que o outro está dizendo."

Para alguns observadores, o choque de gerações tornou-se evidente de maneira constrangedora quando a esposa do indicado a diretor do Serviço Secreto Britânico publicou fotos de seu marido, família e amigos no site de redes sociais Facebook, causando surpresa entre especialistas de segurança e pedidos de investigação.