Malásia recua quanto a plano de filtrar a Internet

sexta-feira, 7 de agosto de 2009 15:16 BRT
 

Por Razak Ahmad e Royce Cheah

KUALA LUMPUR (Reuters) - O governo da Malásia parecia, nesta sexta-feira, ter abandonado seus planos de censurar a Internet, depois de protestos de grupos de oposição e de queixas do setor quanto à possibilidade de que as medidas prejudiquem investimentos.

Na quinta-feira, emergiram detalhes sobre uma concorrência aberta pelo Ministério da Informação e Comunicação do país, que segundo fontes que viram os documentos tinha por objetivo implementar um sistema de filtragem na Internet ainda este ano.

A notícia surgiu depois que a polícia deteve 600 partidários da oposição em um comício no último sábado.

"O governo não deseja implementar filtragem de Internet", teria dito o primeiro-ministro, Najib Razak de acordo com o influente site noticioso Malaysia Insider.

Najib disse que restrições à Internet "não eram efetivas", e contradisse declaração anterior do ministro do Interior, Rais Yatim, segundo o qual havia planos em curso para impedir a circulação de pornografia na Internet do país.

O governo da Malásia atraiu críticas de organizações de defesa dos direitos humanos quando surgiram notícias sobre o plano, e analistas políticos afirmaram que as medidas poderiam colocar em risco os investimentos em alta tecnologia atraídos por incentivos e por uma promessa, feita nos anos 90, de que a Internet não seria reprimida.

O governo da Frente Nacional, que administra a Malásia há mais de 50 anos, sofreu sua maior derrota em eleições nacionais e estaduais no ano passado.

"O governo compreendeu que a ideia era tola e teria fortes repercussões sobre as restrições à liberdade de expressão e o investimento," disse o analista político Khoo Kay Peng.

A decisão da Malásia surgiu depois que a China adiou a adoção do "Represa Verde", um software para filtrar pornografia na Internet que atraiu críticas dos Estados Unidos e do setor de computação.