Escolas chinesas abandonam controvertido filtro para a Web

terça-feira, 15 de setembro de 2009 11:13 BRT
 

Por Huang Yan e Lucy Hornby

PEQUIM (Reuters) - As escolas de Pequim estão discretamente removendo o filtro Green Dam, cujo uso passou a ser obrigatório em todos os computadores escolares a partir de julho, devido a queixas de problemas com o software.

A China abandonou formalmente no mês passado um plano que forçaria a instalação do filtro em todos os computadores novos vendidos no país depois de 1o de julho, após protestos internos e internacionais.

Mas as escolas ainda assim tinham instrução do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação para instalar o software, que segundo autoridades chinesas serviria para bloquear pornografia e outras formas de conteúdo inadequado. Os críticos dizem que o software poderia ser usado para espionar os usuários de Internet e bloquear sites com conteúdo politicamente sensível.

Mesmo assim, algumas delas optaram por desinstalá-lo. "Removeremos todo o software Green Dam dos computadores da escola, porque ele resulta em forte conflito com o software de ensino de que precisamos para nosso trabalho normal", informa uma notificação no site da Escola de Segundo Grau N 50 (www.bj50.com), em Pequim, datada de 1o de setembro.

O diretor de tecnologia da escola, cujo sobrenome é Wang, confirmou na terça-feira que o software havia sido removido da maioria dos computadores. "Ele afetava seriamente o nosso trabalho normal", afirmou.

O software se provou incompatível com a maioria dos demais programas usados para a administração da escola, disse. "Recebemos muitas queixas de escolas sobre o problema com o software", disse à Reuters um funcionário da comissão educacional do distrito de Chongwen, responsável pela escola.

"A situação é realmente contraditória para nós", acrescentou o funcionário que pediu para não ser identificado. Ele afirmou que a comissão estava dividida entre as ordens superiores de instalar o software e as queixas das escolas.

Li Yizhong, ministro da Indústria e Tecnologia da Informação, declarou em agosto que escolas, cibercafés e outros lugares públicos teriam de instalar o programa, mas que os consumidores comuns não precisariam fazê-lo.