UE detalha evidências que sustentam multa antitruste para Intel

segunda-feira, 21 de setembro de 2009 11:54 BRT
 

Por Foo Yun Chee

BRUXELAS, 21 de setembro (Reuters) - Autoridades de defesa da concorrência da União Européia detalharam nesta segunda-feira evidência de clientes da Intel que sustenta uma multa recorde de 1,06 bilhão de euros imposta contra a fabricante de chips por afastar ilegalmente a rival AMD.

Em sua decisão de maio, a comissão executiva da União Europeia informou que a Intel pagou fabricantes de computadores para adiarem ou suspenderem planos de lançar produtos utilizando os chips da AMD, forneceu descontos ilegais e pagou uma rede de varejo para estocar apenas computadores com chips Intel.

A Intel, maior fabricante de chips do mundo, apelou à segunda mais alta corte europeia em julho, dizendo que a multa era "desproporcional" e que a comissão não conseguiu provar que as ações da empresa feriram o consumidor ou prejudicaram concorrentes.

A companhia informou na segunda-feira que a comissão "rejeitou e ignorou amplos elementos de defesa".

A Intel afirmou que o órgão executivo da UE levantou documentos ambíguos de forma adversa à Intel, enquanto negligenciou outros papéis que contestam tal visão.

Documentos internos de clientes da Intel --Dell, Hewlett-Packard Co, NEC Corp, Lenovo e Media Saturn Holding-- e seus testemunhos mostraram que a Intel conduziu dois tipos de práticas ilegais, segundo a comisssão.

A Comissão Européia citou uma apresentação interna da Dell, em fevereiro de 2003, na qual a companhia diz que retaliação da Intel "pode ser severa e prolongada com impacto em todas as linhas de negócios" caso a Dell trocasse parte do fornecimento de chips em favor da AMD.

Já a HP informou à comissão que a Intel concedeu créditos sujeitos à condição não escrita de "que deveria comprar da Intel pelo menos 95 por cento de sistemas para computadores corporativos".

Um email de dezembro de 2006 de um executivo da Lenovo informa que a fabricante suspendeu um "acordo lucrativo" com a Intel, sob o qual não lançaria produtos da AMD em notebooks em 2007.