Para telefonia móvel, dados são benção e maldição

terça-feira, 29 de setembro de 2009 14:58 BRT
 

Por Leila Abboud

PARIS, 29 de setembro (Reuters) - "Dongle" pode ter um som estranho, mas a tecnologia aparentemente inocente que essa palavra descreve está se tornando um dos maiores desafios para o setor de telecomunicação móvel em anos.

Em companhia dos celulares inteligentes, esses cartões ou placas 3G que permitem que as pessoas entrem na Internet via redes móveis, de qualquer parte, vieram a simbolizar de que maneira a mina de ouro que a alta no tráfego de dados representa pode se tornar um pesadelo para as operadoras de telefonia celular.

Os dongles são muitas vezes vendidos com um plano de telefonia a preço fixo, ou com uma assinatura que permite o uso de certo volume de megabits de dados. Eles estão alimentando um boom tão pesado no tráfego móvel de dados que as redes celulares vêm sofrendo pressão sem precedentes.

No entanto, mesmo com a explosão do tráfego, as receitas desses novos serviços não estão se mantendo, devido à intensa concorrência. Com isso, investimento em melhoria de rede pode gerar risco de mais pressão sobre as margens.

"A banda larga móvel é uma grande vantagem para os consumidores, mas um inferno para as operadoras", disse John Strand, que trabalhou por mais de 12 anos como consultor para grandes empresas mundiais de telefonia móvel.

À medida que cresce o número de pessoas que usam redes de telefonia móvel para acesso à Internet em laptops equipados com placas 3G ou aparelhos como iPhone e BlackBerry, o tráfego de dados vem dobrando a cada seis meses, no mundo, e em alguns países apresenta ritmo de expansão ainda mais rápido.

No dia em que o rei do pop Michael Jackson morreu, o tráfego de dados da operadora de telefonia móvel australiana Telstra subiu 170 por cento.

"Todo mundo queria saber ao mesmo tempo o que estava acontecendo", diz Mike Wright, diretor de engenharia na divisão wireless da empresa. "Isso colocou o sistema sob forte pressão."   Continuação...