7 de Outubro de 2009 / às 13:28 / 8 anos atrás

Telefônica contra-ataca e oferece R$6,5 bi por GVT

Por Cesar Bianconi e Guillhermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A Telefônica ofereceu nesta quarta-feira cerca de 6,5 bilhões de reais para comprar a GVT, em um contra-ataque para evitar a chegada de uma concorrente no mercado de telecomunicações brasileiro.

A subsidiária do grupo espanhol --operadora de telefonia fixa no Estado de São Paulo-- se dispôs a pagar 48 reais por ação da GVT --14,3 por cento acima do que a francesa Vivendi tinha acertado com os controladores da empresa-alvo em meados de setembro.

Às 14h40, as ações da GVT disparavam 13,86 por cento na Bovespa, para 46,57 reais, aproximando-se do preço apresentado pela Telefônica, cujas ações na bolsa paulista apresentavam queda de 1,5 por cento, a 43,73 reais. O Ibovespa tinha alta de 0,04 por cento.

"A Telesp (Telefônica SP) entende que a conjugação das suas operações e da GVT apresenta uma lógica estratégica bastante atraente para ambas as companhias", informou a empresa em fato relevante nesta manhã.

Executivos da Telefônica não revelaram o montante de sinergias calculadas pela integração dos negócios da GVT. Disseram apenas que importantes reduções de custos virão da venda cruzada de produtos, sobretudo para clientes corporativos, e no uso dos backbones de ambas as companhias.

Em 8 de setembro, os controladores da GVT acertaram a venda da companhia para o grupo francês Vivendi, que se dispôs a pagar 42 reais por ação da empresa, um negócio de 5,4 bilhões de reais.

Analistas acreditavam que poderiam surgir ofertas rivais e citavam a Telefónica como provável candidata.

Segundo a Telefônica, as operações da GVT "apresentam um encaixe geográfico perfeito com as operações", garantindo "a ampliação da concorrência no mercado de telecomunicações em âmbito nacional".

A oferta pública lançada pela Telefônica está sujeita à compra de ações que garantam o controle da GVT e à aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ao negócio sem restrições. Além disso, depende da remoção, do estatuto da GVT, da "poison pill", mecanismo de defesa contra aquisições hostis.

A Telefônica não acredita que haverá empecilhos à transação na Anatel ou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Procurada pela Reuters, a francesa Vivendi disse que não comentaria o assunto.

A GVT informou, por meio da assessoria de imprensa, que tomou conhecimento da oferta da Telefônica pelo fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os controladores da GVT irão analisar a proposta e se posicionar, mas não foi estimado um prazo para que isso aconteça.

ALAVANCAGEM

O leilão de compra das ações da GVT pela Telefônica está marcado para 19 de novembro na Bovespa.

"Nosso objetivo é que consigamos obter 100 por cento de aceitação dos acionistas (da GVT)", disse em teleconferência o diretor financeiro da Telefônica, Gilmar Camurra.

Todo o pagamento pelas ações da GVT será feito em dinheiro. Segundo Camurra, a Telefônica ainda avalia como financiará a aquisição.

O executivo destacou que a Telefônica tem capacidade de se alavancar por ter dívida baixa. Segundo ele, o valor oferecido para compra de 100 por cento da GVT representa menos de 1 vez a geração de caixa da Telefônica medida pelo Ebitda --sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação.

"O que podemos adiantar é que alguma coisa de endividamento nós vamos fazer", afirmou, acrescentando que parte poderá ser via aumento de capital.

Para a corretora Ativa, se por um lado a Telefônica adquire um ativo estratégico, por outro deixa de ser uma empresa considerada boa pagadora de dividendos, devido à alavancagem decorrente do negócio.

"Acreditamos que a Telesp (Telefônica SP) deverá reduzir significativamente o percentual de distribuição do lucro sob a forma de dividendos nos próximos anos, em decorrência da maior alavancagem", disse a analista Luciona Leocadio, da Ativa.

A GVT foi criada em 1999, com sede em Curitiba, no Paraná. A empresa encerrou junho com cerca de 2,3 milhões de linhas em serviço, incluindo voz, banda larga, dados e serviços de voz sobre Protocolo de Internet.

Se a compra for adiante, adicionará 2 por cento à receita da Telefônica e 6 por cento ao Ebitda.

A Telefônica tem a intenção de manter a diretoria da GVT, mesma proposta apresentada pela Vivendi. O grupo espanhol também pretende manter a marca GVT.

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