Fusão pode não ser a melhor saída, diz presidente da Alcatel

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 10:14 BRT
 

Por Leila Abboud

PARIS (Reuters) - O presidente da fornecedora francesa de equipamentos para telecomunicações Alcatel-Lucent, vista como possível alvo de aquisições, declarou nesta quinta-feira que uma fusão poderia não ser a melhor solução para os problemas da companhia.

Alguns investidores, analistas e executivos do grupo rival de telecomunicações Nokia-Siemens Networks acreditam que outra rodada de consolidação pode estar a caminho no setor de equipamentos para telecomunicações, para compensar a pressão de preços e sobre as margens de lucros.

"Já declarei muitas vezes que fusões e aquisições não são a melhor maneira de resolver os nossos problemas. Precisamos corrigir os nossos defeitos," disse Ben Verwaayen, presidente-executivo da Alcatel-Lucent, durante a conferência de tecnologia ETRE, em Paris.

Quando perguntado se planejava adquirir empresas menores a fim de ganhar acesso a tecnologias promissoras, Verwaayen declarou que aquisições nem sempre são a solução correta, e que parcerias também podem estimular a inovação.

O grupo franco-americano Alcatel-Lucent não realiza lucros desde que foi criado por uma complicada fusão, três anos atrás, mas suas ações subiram cerca de 80 por cento neste ano, ante os 25 por cento do índice de tecnologia DJ Stoxx.

Alguns investidores estão apostando que a empresa tenha se recuperado e esteja pronta para se beneficiar de uma recuperação econômica mais ampla.

Verwaayen assumiu o comando da empresa um ano atrás, e prometeu tirá-la do vermelho até o final do ano, a despeito das perspectivas desfavoráveis no setor de equipamentos para telecomunicações.

"No meu segundo ano, quero que a Alcatel-Lucent volte a se acostumar com a vitória," ele disse na conferência. "E no terceiro ano seremos uma empresa normal."

Ele prosseguiu explicando que sua definição de companhia saudável é uma empresa cujos clientes saibam exatamente o que fornece, e um lugar no qual as pessoas talentosas desejem trabalhar. "Também é preciso pagar dividendo aos acionistas," afirmou.