GVT propõe a acionistas retirada de "poison pill" de estatuto

terça-feira, 13 de outubro de 2009 20:22 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa de telecomunicações GVT, alvo de compra pela Telefónica, vai propor aos acionistas que seja retirado do estatuto da companhia artigo para protegê-la de ofertas de aquisição.

Na prática, a medida abre caminho para que o grupo espanhol ou qualquer interessado tenha condições de assumir o controle da GVT.

Segundo a GVT, a exclusão da chamada "poison pill" permitirá "aos acionistas da companhia se beneficiarem das presentes ofertas ou de ofertas superiores, caso novas ofertas venham a ser apresentadas".

No dia 7, a Telesp --subsidiária brasileira da Telefónica-- ofereceu 6,5 bilhões de reais para comprar a GVT, em um contra-ataque para evitar a chegada da Vivendi no mercado de telecomunicações brasileiro.

A Telesp se dispôs a pagar 48 reais por ação da GVT --acima dos 42 reais que a francesa Vivendi tinha acertado com os controladores da empresa-alvo em meados de setembro. Analistas acreditam que a Vivendi não entrará em uma guerra de preços pela GVT.

Uma das condições para ambas as ofertas seguirem adiante é a eliminação da "poison pill" do estatuto da GVT.

Pela "poison pill", em caso de oferta pública de aquisição da GVT, o preço de compra de cada ação da empresa não poderia ser inferior a 125 por cento da cotação mais alta do papel nos últimos 12 meses, o que seria bastante superior aos 48 reais oferecidos pela Telesp.

O Conselho de Administração da GVT convocou nesta terça-feira acionistas a se reunirem em assembleia no próximo dia 3 a fim de deliberar sobre a dispensa da aplicação dos artigos 43 e 44 do estatuto social da companhia, que tratam da "proteção da dispersão da base acionária".

De acordo com edital de convocação, a retirada dos artigos se aplica à compra de ações da companhia que possuam as seguintes características: liquidação financeira até 28 de fevereiro de 2010, preço mínimo de 48,00 reais por ação e pagamento em dinheiro.

Além disso, a ofertante deverá "possuir capacidade financeira para a aquisição de 100 por cento do capital social da GVT e deverá ser operador ou provedor de serviços de telefonia fixa, móvel ou de banda larga no Brasil ou no exterior, diretamente ou por intermédio subsidiárias, controladas ou coligadas".

(Reportagem de Cesar Bianconi)