Nigéria e empresas de software querem deter crime na Internet

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 09:53 BRST
 

Por Randy Fabi

ABUJA, 23 de outubro (Reuters) - A polícia anticorrupção da Nigéria está trabalhando com importantes produtoras de software a fim de deter milhares de e-mails fraudulentos, em uma campanha de repressão aos crimes de Internet no mais populoso país da África, anunciou um porta-voz da organização.

A Economic and Financial Crimes Commission (EFCC) informou na quinta-feira que o seu projeto "Eagle Claw," que deve estar completamente operacional em prazo de seis meses, tinha por objetivo melhorar a maculada imagem da Nigéria como um dos polos mundiais dos crimes de Internet.

"A EFCC está ajustando modalidades de segurança com a Microsoft e, quando plenamente implementadas, a capacidade de bloquear e-mails fraudulentos crescerá para cinco mil ao mês," anunciou Farida Waziri, presidente da comissão, em comunicado.

"A tecnologia ainda não está plenamente desenvolvida, mas os operadores trabalharão 24 horas por dia, sete dias por semana, para detectar palavras-chave encontradas em e-mails fraudulentos. Apenas as mensagens limpas serão enviadas," disse Femi Babafemi, porta-voz da EFCC.

A agência anunciou já ter fechado 800 sites que praticavam trapaças e detido 18 pessoas, nos últimos três meses. Haverá ao menos 100 agentes da EFCC dedicados ao projeto.

A iniciativa é o mais recente esforço do governo para combater a imagem do país como um epicentro da corrupção, exemplificada pelos criminosos conhecidos como "419," o número do artigo no código penal nigeriano para práticas de fraude.

O governo no mês passado proibiu a exibição no país do sucesso de ficção científica "Distrito 9," que caricatura os nigerianos como bandidos e canibais, e exigiu um pedido de desculpas da Sony depois que um anúncio do Playstation insinuou que os nigerianos são fraudadores.

O presidente Umaru Yar'Adua também lançou uma campanha de reconstrução da imagem nacional, com o lema: "Nigéria -Boas Pessoas, Grande Nação," e lançou uma campanha nacional para promover produtos nacionais de preferência a importados.

Mas os nigerianos, que em sua maioria têm renda inferior a US$ 2 por dia, dizem que o governo precisa fazer mais para resolver os problemas do país, que é muito pobre apesar de sua riqueza em petróleo.