Vivendi fez "gol de mão" para levar GVT, diz Telefónica

terça-feira, 8 de dezembro de 2009 17:38 BRST
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - Ainda ressentido pela perda da GVT para a Vivendi, o presidente da Telefónica no Brasil, Antônio Carlos Valente, afirmou que fazer gol de mão não vale, referindo-se a possíveis irregularidades no negócio envolvendo os franceses.

A Telefónica esteve envolvida em uma batalha com a Vivendi pela aquisição da GVT, que o grupo espanhol via como melhor alternativa para ampliar sua atuação, hoje concentrada no Estado de São Paulo, para todo o Brasil.

"(A perda da) GVT foi uma tristeza para a companhia", disse Valente a jornalistas nesta terça-feira.

A Vivendi anunciou em 13 de novembro ter assegurado uma participação majoritária no capital da GVT, por meio de acordo com os controladores e contratos irrevogáveis de opção de compra de ações da empresa-alvo.

O grupo francês se dispôs a pagar, em sua oferta vencedora, 56 reais por ação da GVT, acima dos 50,50 reais apresentados pela Telesp, subsidiária da Telefónica no país.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou no final de novembro que investigações levantaram dúvidas sobre a capacidade de as contrapartes da Vivendi nos contratos de opção de ações honrarem seus compromissos.

"Estávamos tentando colocar a bola no gol com o pé. Fazer gol com a mão não pode", afirmou Valente, que classificou a operação entre Vivendi e GVT de "um pouco heterodoxa".

Em partida no último dia 18, o capitão da seleção francesa de futebol, Thierry Henry, ajeitou a bola com a mão em lance que resultou em gol contra a Irlanda e classificou a França para a Copa do Mundo de 2010. Henry admitiu o toque de mão na jogada, mas disse que não era o árbitro.   Continuação...