11 de Dezembro de 2009 / às 12:33 / 8 anos atrás

Acesso à Web dispara no Brasil, mas desigualdade ameaça inclusão

<p>N&uacute;mero de usu&aacute;rios de Internet no Brasil cresceu 75,3 por cento no pa&iacute;s entre 2005 e 2008 e boa parte dos novos inclu&iacute;dos na rede pertencia &agrave; baixa renda, segundo o IBGE (foto de arquivo).Paulo Whitaker</p>

RIO DE JANEIRO, 11 de dezembro (Reuters) - O número de usuários de Internet no Brasil cresceu 75,3 por cento no país entre 2005 e 2008 e boa parte dos novos incluídos na rede pertencia à baixa renda, segundo o IBGE, mas a desigualdade social e educacional ainda prejudica a inclusão digital no Brasil.

Em 2008, 56,4 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais acessavam a Internet (34,8 por cento do total) contra 31,9 milhões em 2005. Enquanto isso, o ranking da Internet World Statis coloca o Brasil atrás de países da América do Sul como Argentina (48,9 por cento), Chile (50,4), Uruguai (38,3) e Colômbia (45,3).

"Os avanços de 2005 a 2008 foram fantásticos, mas ainda vivemos uma apagão digital que está ligado aos níveis de educação e distribuição de renda", declarou o coordenador de um suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE

Na Europa, o nível de acesso atinge 52 por cento, na Oceania 60,4 por cento e na América do Norte 74,2 por cento da população. A média da América Latina ficou em 30,5 por cento contra 19,4 por cento na Ásia.

Do total de novos usuários no Brasil, 17 milhões ganham até 2 salários mínimos per capita ao mês. "O acesso à Internet está mais democratizado no Brasil", disse o coordenador da pesquisa, Cimar Pereira Azeredo

Segundo o IBGE, no ano passado o país ainda tinha 104 milhões de pessoas que não acessavam a Internet, mas o contingente diminuiu em relação a 2005, que era de 120,3 milhões de brasileiros

Nas regiões consideradas mais pobres do país, o acesso à Internet ganhou velocidade, segundo a pesquisa. Na região Norte, o total de usuários passou de 12 para 27,5 por cento da população com dez anos ou mais de estudo. No Nordeste, passou de 11,9 para 25,1 por cento.

"Vários fatores explicam o maior acesso entre os mais pobres. O acesso está mais barato e as lan houses estão mais espalhadas pelo país. Além disso, a renda do brasileiro e a escolaridade aumentaram em reação a 2005", avaliou o coordenador do IBGE.

Em 2008, 51,7 por cento dos internautas do país acessaram a rede mundial de computadores de casa e 35,2 por cento a partir de lan houses, contra 49,9 e 21,9 por cento, respectivamente.

Nas regiões mais ricas do Brasil, os percentuais de acesso são bem mais elevados. como na região Sudeste, em que o índice foi de 40,3 por cento.

"O Brasil tem uma das piores distribuições de renda no mundo e não é novidade que essa diferença social tenha reflexo também no acesso à Internet. A desigualdade de renda é um empecilho para um maior acesso", disse Azeredo.

Ele destacou que quanto maior a renda e a escolaridade, maior é o acesso à rede mundial de computadores. A pesquisa mostra que famílias com renda per capita domiciliar acima de 5 salários mínimos têm um percentual de acesso à Web de 75,6 por cento.

Em média, os conectados têm 10 anos de estudo, o equivalente ao ensino fundamental.

A idade média dos internautas em 2008 era de 27,6 anos contra 28,1 anos em 2005. Na faixa entre 15 e 17 anos, o percentual de conectados alcança 62,9 por cento.

Segundo a pesquisa, 86 milhões de brasileiros tinham um aparelho de celular em 2008, o equivalente a mais da metade da população. Em 2005, eram 56 milhões ou 36,6 por cento da população.

Por Rodrigo Viga Gaier

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