Bens virtuais são fonte de receita na Web em meio à crise

terça-feira, 29 de dezembro de 2009 17:01 BRST
 

Por Alexei Oreskovic

SAN FRANCISCO, Estados Unidos (Reuters) - A Internet tornou fácil fazer compras sem enfrentar filas. Agora, algumas companhias estão apostando que as pessoas estão dispostas a deixar de lado outra tradição do comércio: produtos que podem ser tocados pelos consumidores.

Os bens virtuais, que existem como bits digitais em celulares e computadores, ganharam popularidade nos últimos 12 meses como componentes importantes de vidas nas quais a Web tem importância cada vez maior.

Muitas vezes oferecidos por preços de 1 dólar ou menos, os bens virtuais variam de acessórios para videogames como armas adicionais em jogos de combate a cartões e flores eletrônicos de aniversário para os amigos de Facebook, ou serviços de encontros românticos como o Zoosk e o flirtomatic.com.

Os produtos virtuais são populares há anos em outras partes do mundo, entre as quais a Ásia, mas estão apenas começando a ganhar popularidade nos Estados Unidos.

Para muitas empresas iniciantes na Web, mercadorias digitais são fonte importante de receita para substituir as verbas publicitárias cada vez mais escassas. E uma série de transações de valor elevado sugere que os bens virtuais estão se tornando mais que uma moda passageira.

Em novembro, a produtora de videogames Electronic Arts pagou 275 milhões de dólares pela Playfish, que produz jogos para redes sociais como o Facebook, no qual há produtos virtuais à venda.

Um mês mais tarde, um grupo de investidores decidiu capitalizar em 180 milhões de dólares uma produtora rival de jogos em redes sociais, a Zynga. Os produtos virtuais respondem por 90 por cento das receitas da companhia, que uma fonte familiarizada com suas atividades estimou em 300 milhões de dólares anuais.

"As companhias de maior porte estão emprestando sua força a esse modelo", disse Atul Bagga, analista da ThinkEquity. Ele acredita que o mercado de bens virtuais dos Estados Unidos pode dobrar em 2010, ante o movimento de 1 bilhão de dólares estimado para 2009.

A corrida para oferecer bens virtuais surge em meio à erosão no faturamento com publicidade online, que tradicionalmente servia como base de receita para os sites de gratuitos. O movimento de publicidade online nos EUA caiu em 5,3 por cento, para 10,9 bilhões de dólares, no primeiro semestre de 2009, ante o mesmo período de 2008, de acordo com o Internet Advertising Bureau.