Ativistas aplaudem Google, mas não esperam que China recue

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 11:59 BRST
 

PEQUIM, 13 de janeiro (Reuters) - O anúncio do Google de que pode deixar a China por conta da censura gerou aplausos, alertas e elogios de dissidentes e ativistas da Internet nesta quarta-feira, mas poucos apostam em chances do governo do país ceder terreno.

O maior mecanismo de buscas do mundo disse que pode fechar o site em chinês google.cn depois de ataques de hackers da China a dissidentes que usavam o serviço Gmail.

Na sede da empresa na China, no distrito da universidade de Pequim, alguns moradores deixaram um buquê de rosas vermelhas e lírios brancos no emblema do Google.

"Queremos expressar raiva, mas não ao Google. Vir aqui é um tipo de apoio ao Google", disse Zhao Gang, 30, que trabalha com tecnologia da informação. "O Google enfrenta muitas restrições e condições adversas na China. Algo que sabíamos em nossos corações agora foi exposto. Creio que este momento é um divisor de águas para a Internet na China este ano."

Ativistas chineses há muito se queixam de que o Partido Comunista apertou o cerco na Internet, controlando a circulação de informação e ideias em nome da segurança pública e da moral.

O Google não informou se acredita que o governo chinês esteja por trás dos ataques de hackers.

O Ministério das Relações Exteriores da China negou repetidas vezes que esteja o governo esteja relacionado com os ataques. Alguns especialistas estrangeiros afirmam que parte das invasões apresenta sinais de organização sofisticada.

"A China usa uma série de ferramentas para atacar os ativistas e tentar ter acesso a seus pensamentos e ações", afirmou o artista Ai Weiwei, que promoveu campanhas de internautas sobre uma série de causas consideradas como politicamente sensíveis por Pequim. "A maior parte dos dissidentes não tem tanto cuidado" com segurança, acrescentou.

 
<p>Um usu&aacute;rio local do Google coloca um ma&ccedil;o de cigarros junto a presentes de outros apoiadores em frente ao escrit&oacute;rio do Google em Hong Kong no dia 14 de janeiro. O an&uacute;ncio do Google de que pode deixar a China por conta da censura gerou aplausos, alertas e elogios de dissidentes e ativistas da Internet nesta quarta-feira, mas poucos apostam em chances do governo do pa&iacute;s ceder terreno. REUTERS/Tyrone Siu</p>