1 de Fevereiro de 2010 / às 14:55 / em 8 anos

Internautas chineses repreendem EUA por venda de armas a Taiwan

PEQUIM (Reuters) - Internautas chineses enraivecidos estão expressando sua ira contra os Estados Unidos, depois que o governo do presidente Barack Obama propôs sua primeira venda de armas a Taiwan, e alguns deles apelaram por um boicote a bens norte-americanos ou até mesmo ação militar.

Mas Taiwan, a ilha autônoma que a China alega ser parte de seu território, em larga medida escapou à indignação chinesa, já que as duas nações estão envolvidas em um novo esforço de aproximação diplomática, desde a posse do novo presidente taiuanês Ma Ying-jeou, em 2008.

Os EUA transferiram seu reconhecimento diplomático de Taiwan a Pequim em 1979, reconhecendo a política de “China unificada” adotada pelos dirigentes chineses, mas continuam a ser o maior aliado de Taiwan, e têm a obrigação de ajudar na defesa da ilha, nos termos de uma lei de 1979.

Muitos internautas chineses apelaram por um boicote geral a produtos norte-americanos, entre os quais os aviões da Boeing.

“Os internautas deveriam se unir e boicotar todos os bens norte-americanos”, disse um homem de Henan, uma província do centro da China, em mensagem no popular portal www.sina.com.cn. “Nada de KFC, nada de McDonald‘s, e nada de viagens de turismo aos EUA.”

“Vamos primeiro começar uma guerra sem fumaça, e depois pode vir a guerra real”, acrescentou outro usuário.

Outros sugeriram que o governo chinês venda mais armas ao Irã e Coreia do Norte, para reencontrar o equilíbrio com os

EUA.

“Como vingança, a China deveria vender armas avançadas aos inimigos dos EUA”, escreveu “Jjyang03so” em outro portal, o www.sohu.com.

“O governo chinês pode contra-atacar com vigor diante de todas as ameaças aos interesses essenciais do país”, escreveu um leitor da edição online do Global Times, um tabloide nacionalista.

Houve quem apelasse por represálias mais severas.

“Se eles querem guerra, é hora de o nosso exército responder”, disse um internauta chamado Lucky Lion, no www.sina.com.cn.

Mas também havia apelos à cautela.

“Como vocês podem pedir uma guerra? As medidas tomadas até agora foram pequenas e cautelosas”, escreveu Lookformm em um fórum de mensagens da Universidade Tsinghua, uma instituição de elite em Pequim.

Reportagem de Huang Yan e Ben Blanchard

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