February 1, 2010 / 7:55 PM / 7 years ago

Processo contra Vivendi pode reduzir ímpeto por aquisições

4 Min, DE LEITURA

Por Cyril Altmeyer

PARIS (Reuters) - A derrota da Vivendi na última sexta-feira em processo coletivo nos Estados Unidos pode afetar o apetite do grupo francês de mídia por aquisições, mas não deve ameaçar seus ratings de crédito e dividendos em 2010, afirmaram analistas.

A Vivendi foi responsabilizada pelo júri de um tribunal federal dos EUA pelo pagamento de uma indenização de, potencialmente, bilhões de dólares por ter enganado investidores sobre sua condição financeira antes de uma fusão de 46 bilhões de dólares, ocorrida há quase 10 anos.

A Vivendi irá apelar da decisão e o valor final que a empresa terá que pagar ainda demorará anos para ser determinado.

A preocupação de investidores com a decisão judicial e seus possíveis efeitos levaram as ações da Vivendi a recuarem até 4 por cento nesta segunda-feira, atingindo seu nível mais baixo desde agosto. No fechamento da sessão, os papéis do grupo francês registraram queda de 2,4 por cento, para 18,40 euros.

A administração da Vivendi é "bem cautelosa", segundo um analista de Paris. "Portanto, se eles acham que há um sério risco de que o grupo tenha que pagar uma grande indenização, então eles podem estar menos propensos a considerar (novos) acordos de aquisição."

Já analistas da corretora CM-CIC Securities afirmaram em relatório que há a possibilidade, embora improvável, de que a empresa tenha que pagar 6,6 bilhões de euros (9,3 bilhões de dólares) em reparações.

"(Isso) também restringe o espaço de manobra financeira do grupo em momento em que o crescimento externo é central para sua estratégia."

A estratégia da Vivendi tem sido, tipicamente, de buscar aquisições para impulsionar suas atividades em mídia e telecomunicações, como um recente acordo de compra do grupo brasileiro GVT.

A empresa também já afirmou que gostaria de comprar a participação de acionistas minoritários na Canal Plus, seu negócio de TV paga, e da SFR, sua unidade de telecomunicações, uma joint-venture com a Vodafone.

Mas o presidente-executivo da Vivendi, Jean-Bernard Levy, tem dito, há tempos, que não quer pagar caro demais.

Dois dos principais compromissos da Vivendi são a forte distribuição de dividendos e a manutenção do rating "BBB" para sua dívida.

Analistas esperam que a Vivendi não mude suas promessas ao anunciar seus resultados de 2009 no próximo dia 1o.

Eles também não acreditam que a Vivendi vai separar dinheiro em seu balanço para o possível pagamento de indenizações no processo perdido nos EUA, já que uma decisão final sobre a quantia deve levar anos.

"Se eles separarem dinheiro, é como se eles admitissem antecipadamente que são culpados", disse um analista.

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