Executivo chinês de Internet lamenta controle estatal da mídia

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 10:58 BRST
 

PEQUIM, 3 de fevereiro (Reuters) - A China jamais terá sua voz ouvida no mercado internacional a não ser que o governo afrouxe o estreito controle que detém sobre o setor de mídia e cinema, afirmou o presidente-executivo do segundo maior portal de Internet do país, na quarta-feira.

Charles Zhang, presidente-executivo da Sohu e executivo conhecido por sua franqueza, disse em um fórum, em Pequim, que os planos de criar gigantes mundiais chineses no setor de mídia estariam fadados ao fracasso caso o governo não relaxe seus controles.

"Os jornais e estações de televisão chineses não enfrentam concorrência significativa e não têm personalidade independente... e por isso lhes falta autoridade e respeito", disse Zhang, de acordo com uma transcrição de sua palestra postada no site da companhia.

"Caso o Wall Street Journal ou o New York Times reportem alguma coisa, o mundo todo presta atenção e acredita", acrescentou. "O direito da China de falar ao mundo está ausente porque o país não conta com organizações de mídia capazes de conquistar respeito."

A China tentou fazer com que sua voz seja ouvida de maneira mais global principalmente por meio do canal em inglês CCTV-9, mas a empreitada não obteve muito sucesso apesar do pesado investimento.

O Partido Comunista, que governa o país, receitou uma mistura de reformas comerciais e controle e censura estatais continuados para os setores de mídia e editorial, e ao mesmo tempo proíbe a menção a questões que representem contestação direta às suas políticas fundamentais.

A China também deseja aproveitar forças comerciais para criar veículos de mídia capazes de projetar as ideias e valores chineses diante de um público em evolução e de um mundo mais amplo.

Zhang disse que essas reformas acarretavam o risco de criar companhias de mídia sem competitividade, "uma cabeça de tigre sem a cauda", expressão chinesa que significa algo que começa bem mas acaba mal.