Camboja critica Google por mapa de fronteira com a Tailândia

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 15:59 BRST
 

PHNOM PENH (Reuters) - O Camboja criticou o Google pelo que definiu como um mapa "radicalmente impreciso" quanto à área fronteiriça em disputa entre Tailândia e Camboja, acusando o maior serviço de buscas do mundo de "irresponsabilidade profissional".

O Camboja, que está envolvido em uma amarga disputa diplomática com a Tailândia quanto à demarcação da fronteira comum, disse que o mapa do Google Earth é "desprovido de verdade e realidade", e apelou por sua retirada imediata, devido à falta de reconhecimento internacional aos limites retratados.

O Camboja fez sua queixa em carta enviada um dia antes da primeira visita à fronteira de seu primeiro-ministro Hun Sen, conhecido pelos pronunciamentos francos. A visita deve agravar as tensões entre os países, inimigos históricos.

"O mapa é desprovido de verdade e realidade, e profissionalmente irresponsável, ou quem sabe até pretensioso", afirmou o secretário de Estado no conselho cambojano de ministros, Svay Sitha, em carta vista pela Reuters nesta sexta-feira.

"Solicitamos, por isso, que vocês retirem de circulação o mapa já disseminado, completamente errado e não reconhecido internacionalmente, e o substituam", conforme o texto.

Os dois países têm pesada presença militar na fronteira, onde confrontos mortíferos vêm ocorrendo nos três últimos anos.

O polo da disputa é o templo de Preah Vihear, construído no século 11, cuja posse foi atribuída ao Camboja pela decisão de um tribunal internacional em 1962. Mas muitos tailandeses jamais aceitaram plenamente a decisão, e o templo é usado por ambos os países como forma de despertar emoções nacionalistas.

A Tailândia no ano passado retirou seu apoio à campanha do Camboja para incluir o templo na lista de patrimônio histórico mundial da Unesco, alegando que a questão da jurisdição sobre as terras que cercam a edificação não havia sido decidida.

Isso irritou Hun Sen, que em seguida formou uma aliança provocativa com o antigo primeiro-ministro tailandês exilado Thaksin Shinawatra, oferecendo a este uma base perto de casa para sua batalha pela derrubada do governo da Tailândia.

(Reportagem de Prak Chan Thul)