Espiões e hackers exploram ausência de regras no mundo da Web

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 14:00 BRT
 

Por William Maclean

LONDRES (Reuters) - A melhor arma contra os ladrões, vândalos e espiões online que ameaçam os negócios e a segurança mundial seria criar uma regulamentação internacional para o ciberespaço.

Felizmente para eles, essa cooperação ainda não existe.

Melhor ainda, da perspectiva dos hackers, esse objetivo não está entre as prioridades da comunidade internacional, apesar dos protestos sobre ataques de hackers e censura e das disputas quanto ao ciberespaço que opõem China e Irã ao grupo norte-americano Google.

Os países pensam demais em termos locais sobre sua segurança online, e isso os leva a não colaborar para criar regulamentação mundial para as atividades online, disseram palestrantes em uma conferência de segurança no EastWest Institute, na semana passada.

As declarações de política dos governos de todo o mundo são dominadas pela necessidade de reais defesas nacionais contra os ataques via Internet. Desta forma, muitos dos criminosos online escapam ilesos.

"Os países vivem em estado de negação", disse Pavan Duggal, especialista indiano em leis da computação, à Reuters, afirmando que legislação de alcance nacional teria uso limitado para proteger os usuários contra o uso indevido de uma ferramenta de comunicação que não possui fronteiras.

"Talvez seja necessário um evento que cause grande choque para que as pessoas despertem de sua complacência, algo equivalente a um 11 de setembro no ciberespaço", disse Duggal, referindo-se aos ataques terroristas coordenados contra cidades dos Estados Unidos, em 2001.

Já que um quarto dos habitantes do planeta estão conectados à Internet, os crimes online representam perigo crescente para a economia mundial.

O FBI calculou que o total de prejuízos com crimes online sofrido por pessoas físicas nos EUA tenha chegado a 264 milhões de dólares no ano passado, ante 18 milhões de dólares em 2001. E esse montante provavelmente representa apenas uma fração das perdas sofridas por empresas e departamentos do governo.